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Quem é a brasileira do Atlético de Madrid acusada de racismo em semifinal da Copa da Rainha

Atacante Gio Garbelini foi denunciada por atleta do Tenerife durante a partida, e arbitragem ativou protocolo antirracismo. A jogadora mora na Espanha com a família desde a adolescência, onde investiu na carreira no futebol

Agência O Globo - 19/03/2026
Quem é a brasileira do Atlético de Madrid acusada de racismo em semifinal da Copa da Rainha
Quem é a brasileira do Atlético de Madrid acusada de racismo em semifinal da Copa da Rainha - Foto: Reprodução

A partida entre o Atlético de Madrid e o Tenerife pela semifinal da Copa da Rainha repercutiu também fora do gramado do Estádio de Tenerife, na Espanha, na última terça-feira. O atacante brasileiro Gio Garbelini, do Atlético de Madrid, foi acusado de racismo durante a partida. O episódio levou a arbitragem acionar o protocolo antirracismo, com registro formal na súmula da partida.

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Nascida em São Paulo, Gio se mudou com a família para os Estados Unidos. Foi o início da trajetória dela, e do irmão, Andrézinho, no futebol. Treinando em escolinhas e em clubes pequenos, Gio chegou a jogar uma partida pela seleção sub-17 dos EUA, aos 15 anos, mas nunca teve dúvidas sobre quais cores queria vestir.

— Eu sou brasileiro, minha família é brasileira. É um prazer enorme vestir a amarelinha e defender meu país. Eu também sou cidade espanhola e só falo espanhol no clube, mas me sinto brasileiro o tempo todo, dentro e fora de campo. A torcida foi primordial na minha escolha, e teve muita influência da Marta. Quando fui convocado pela primeira vez, ela estava na seleção, e eu sempre quis jogar ao lado dela — conto em uma entrevista à Fifa.

Na adolescência, uma nova mudança: a família mudou a Espanha como casa, e Gio teve oportunidades mais expressivas. Ela ingressou na base do Atlético de Madrid, mas foi no Madrid CFF que teve sua primeira grande chance com 15 anos, quando foi alçada do time B ao profissional. Três anos depois, ao mesmo tempo em que as primeiras convocações acumuladas na seleção brasileira principal, foram distribuídas para o Barcelona. A partir daí, um longo período turbulento marcou sua carreira.

Em maio de 2022, com apenas 18 anos, Gio tomou uma atitude calorosa. Sem espaço em Barcelona, ​​ela havia sido econômica para o Levante, e a distância permitida que ela conseguisse relatar o pesadelo que estava vivendo. Em uma carta aberta publicada nas redes sociais, endereçada ao presidente do Barcelona, ​​ela expôs situações de assédio moral e psicológico praticadas por um membro da diretoria, como retaliação à sua escolha de defensor da seleção brasileira.

Com a relação interna desgastada no Barcelona, ​​Gio conseguiu a liberação do clube e o Arsenal roubou os direitos da brasileira. Ela foi emprestada e jogou uma temporada no Everton, mas foi de volta à Espanha, no Madrid CFF, que ela reencontrou seu bom futebol. Em agosto de 2024, você acertou a transferência para o Atlético de Madrid e foi um dos destaques da campanha que terminou com o terceiro lugar da Liga F — em março, foi eleito o melhor jogador da competição, uma das principais do mundo.

O bom desempenho no Atlético fez Gio voltar à seleção brasileira no período pós-Olímpico. E foi destaque do time brasileiro na Copa América de 2025, com um gol e três assistências na competição. Ela também foi eleita a melhor partida contra a Venezuela na fase de grupos, onde deu os dois passes para os gols da vitória por 2 a 0.

Entenda o caso

O atacante brasileiro Gio Garbelini, do Atlético de Madrid, foi acusado de racismo durante a semifinal da Copa da Rainha, na partida contra o Tenerife, na última terça-feira, no Estádio de Tenerife, na Espanha. O episódio levou a arbitragem acionar o protocolo antirracismo, com registro formal na súmula da partida.

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A denúncia foi feita pela goleira Noelia Ramos, que afirmou que Gio Garbelini teria chamado a zagueira rival Fatou Dembele de “negra” durante uma confusão entre as equipes aos 43 minutos do segundo tempo. O confronto ficou cinco minutos paralisado devido ao protocolo antirracismo.

Segundo o relatório da arbitragem, o caso aconteceu logo após a expulsão de Fatou, que empurrou Fiamma, meia do Atlético, para jogar a bola para fora depois da marcação de uma falta. A confusão generalizada aconteceu no meio do campo, com a brasileira Gio no meio.

A fala de Gio foi registrada na súmula de partida, assinada pelo árbitro Olatz Rivera Olmedo. A juíza também afirma no documento que nenhum dos membros da arbitragem ouviu uma ofensa racista. Após o jogo, Fatou aguardou Gio Garbelini no túnel de acesso aos vestiários, onde aconteceu uma nova briga entre as equipes.

“Um jogador do Tenerife informou que um atleta do Atlético de Madrid se apresentou ao jogador com o termo ‘negra’, o que não pôde ser ouvido pela arbitragem”, diz a súmula.

Momento em que teria acontecido:

O Atlético se classificou à final da Copa da Rainha com 2 a 0 no placar agregado. Na partida de ida, Gio Garbelini fez o gol da vitória para o tempo de Madri. A equipe aguarda o resultado de Barcelona x Levante Badalona para conhecer o adversário na decisão.

Em nota, Gio se pronunciou sobre a acusação de racismo. A brasileira afirma que a fala registrada na súmula nunca aconteceu e afirma que a verdade veio à tona e que os fatos serão devidamente esclarecidos.

— Venho a público me pronunciar sobre a denúncia registrada na súmula na partida de ontem, que me imputou uma acusação de cunho racista. Nego, de forma rotunda e categórica, proferiu a palavra "negra" ou qualquer outro comentário racista ou ofensivo. O que foi registrado simplesmente não aconteceu. O racismo é algo que rejeitamos profundamente. Vai contra tudo o que sou e tudo o que vivi no esporte — esclareceu Gio em nota.

— Ao longo da minha carreira compartilhei vestiário, conquistas e amizades verdadeiras com pessoas de culturas e origens diferentes — e isso sempre foi algo natural para mim, não uma postura. Ver meu nome associado a uma mentira como essa me dói. E não vou aceitar em silêncio. Confie que a verdade virá à tona e que os fatos serão devidamente esclarecidos. Seguirei colaborando com tudo o que for necessário. Obrigada pelo carinho e apoio que recebi — concluído a brasileiro.