Vida Esportiva
Senegal se recusa a devolver troféu após perda do título da Copa Africana e ameaça recorrer à Justiça
Federação contesta decisão da CAF que deu vitória retroativa ao Marrocos e afirma que taça 'não sairá do país'
Senegal se recusa a devolver o troféu da Copa Africana de Nações após ter o título retirado em uma decisão inédita. A Federação Senegalesa anunciou que recorrerá ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, e garantiu que a taça permanecerá no país.
A crise teve início na terça-feira, quando a Confederação Africana de Futebol (CAF) reverteu o resultado da final, disputada há 58 dias, declarando vitória do Marrocos por 3 a 0 por WO Segundo a entidade, o comportamento da seleção senegalesa — marcado por protestos contra a arbitragem e abandono temporário do campo — violou o regulamento da competição.
Apesar da decisão oficial, dirigentes e jogadores do Senegal adotaram postura de enfrentamento e passaram a tratar o troféu como símbolo da vitória conquistada em campo. O secretário-geral da federação, Abdoulaye Sow, foi enfático:
— A taça não sairá do país. O Senegal tem a direita e a vitória está do seu lado.
Em nota, a federação classificou a decisão da CAF como “injusta, sem precedente e inaceitável”, acusando a entidade de comprometer a remuneração do futebol africano. A resposta institucional inclui a preparação de um recurso formal ao CAS.
A final já havia sido marcada por forte tensão. O Senegal saiu do campo de protesto contra decisões de arbitragem, mas retornou, defendeu uma penalidade e venceu por 1 a 0 na prorrogação. Após a partida, a federação marroquina apresentou queixa formal, dando início à investigação da CAF.
Ao rever o caso, a entidade concluiu que o Senegal infringiu o Artigo 82 do regulamento, determinando a derrota administrativa e a consequente transferência do título para Marrocos.
Os jogadores senegaleses reagiram publicamente, reforçando a recusa em considerar a decisão. O volante Idrissa Gana Gueye publicou uma imagem com o troféu e afirmou:
— Títulos e troféus são passageiros. O que importa é que o povo permaneça digno.
Outros atletas também compartilharam fotos com a taça e mensagens de contestação. O lateral El Hadji Malick Diouf declarou: “O troféu se ganha em campo, não por e-mail”.
Enquanto o Marrocos é oficialmente reconhecido como campeão, o Senegal mantém a posse física da taça — um impasse que deve se prolongar nos tribunais esportivos.
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