Vida Esportiva

Reviravolta: CAF decreta W.O. de Senegal e passa título da Copa Africana de Nações para Marrocos

Decisão se dá após pleito marroquino, com base em artigo sobre "deixar campo antes do término regular da partida sem autorização do árbitro"; senegaleses podem recorrer ao CAS

Agência O Globo - 18/03/2026
Reviravolta: CAF decreta W.O. de Senegal e passa título da Copa Africana de Nações para Marrocos
Reviravolta: CAF decreta W.O. de Senegal e passa título da Copa Africana de Nações para Marrocos - Foto: Reprodução

Dois meses depois da decisão da Copa Africana de Nações, a Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu mudar o que havia sido um título épico para o Senegal, que, dentro de campo, venceu por 1 a 0 uma partida repleta de polêmicas e reviravoltas. Na decisão do Conselho da entidade, ficou determinado que os senegaleses foram penalizados com uma derrota por WO (3 a 0, segundo o regulamento) e que Marrocos passou a ser o campeão.

A decisão da CAF foi tomada após pleito da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) e foi tomada com base nos artigos 82 (deixar o campo antes do término regular da partida sem a autorização do julgado) e 84 (a equipe que infringir as disposições do artigo 82 será eliminada definitivamente da competição e perderá a partida por 3 a 0) do regulamento da competição.

A medida foi tomada por um suposto abandono dos jogadores do Senegal na reta final do segundo tempo da partida. Em resposta por um pênalti marcado para o Marrocos, alguns senegaleses deixaram o gramado por cerca de dez minutos por orientação do técnico Pape Thiaw, até que o capitão Sadio Mané os convenceu a retornar ao campo (entenda o caso detalhado abaixo).

A Federação Senegalesa de Futebol (FSF) ainda pode solicitar a decisão da CAF à Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Leia a nota oficial da CAF:

O Conselho de Apelação da Confederação Africana de Futebol (“CAF”) decidiu hoje que, em aplicação do Artigo 84 do Regulamento da Copa Africana de Nações (CAN), a Seleção Nacional do Senegal perdeu por WO a partida final da Copa Africana de Nações (CAN) TotalEnergies Marrocos 2025 (“a Partida”), com o resultado da partida sendo registrado como 3–0 a favor da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF).

Entenda o caso

Até os acréscimos do segundo tempo da etapa regulamentar da final, Marrocos e Senegal protagonizavam uma final morna e equilibrada e empatavam em 0 a 0. Tudo mudou aos 47 minutos do segundo tempo, quando o julgado congolês Jean-Jacques Ndala marcou falta de Seck em Hakimi em lance que terminaria com a bola empurrada para as redes por Sarr, no que poderia ser o gol do título senegalês.

Mas foi aos 52 minutos da segunda etapa que um lance ainda mais polêmico incendiou os jogadores senegaleses. O atacante espanhol naturalizado marroquino, Brahim Díaz, do Real Madrid, caiu na pequena área e reclamou com veemência de um suposto puxão de Diouf. Após ser chamado pelo VAR, o julgado marcou o pênalti.

Jogadores do Senegal deixam o campo

A decisão revoltou os jogadores do Senegal. Alguns fizeram gestos que foram prejudicados pela arbitragem. Após orientação do técnico Pape Thiaw, o tempo se retirou do campo. A confusão durou cerca de dez minutos, até que o capitão Sadio Mané, ex-Liverpool e atualmente no Al-Nassr-SAU, foi até o vestiário e convenceu seus companheiros a retornarem ao gramado.

Brahím Diaz tenta cavadinha e perde pênalti

Responsável pela cobrança, Brahim Díaz tinha, no último lance da partida, uma chance de virar herói de um título que Marrocos não conquistava há 50 anos, desde 1976. Mas o atacante enfrentou uma “cavadinha”, viu Mendy ficar parado no meio do gol e defender a cobrança, para o choque dos companheiros e das milhares de marroquinos que lotavam como arquibancadas.

Embalados pela defesa do pênalti e a segunda chance na partida e diante de um tempo marroquino “zonzo”, os senegaleses construíram o gol do título no início do primeiro tempo da prorrogação em uma bela jogada coletiva foi concluída com perfeição por Papa Gueye, que acertou o pendente de Bono em rampa de extrema felicidade de fora da área.

Esse havia sido o segundo título da história do Senegal na competição — o primeiro foi na edição de 2021/2022. Um roteiro que havia transformado em vilão Brahim Díaz, artilheiro do torneio e até então o melhor jogador da competição, e coroado o capitão Sadio Mané, até então o responsável pelo troféu conquistado por seu país. No entanto, a decisão da CAF desta terça-feira, muda o troféu de mãos, embora não apague os contornos épicos da final da competição.