Vida Esportiva

Levantamento revela maior tolerância dos clubes do Brasileirão com técnicos estrangeiros

Dados indicam que treinadores brasileiros são demitidos mesmo com desempenhos superiores nos últimos dez jogos

Agência O Globo - 17/03/2026
Levantamento revela maior tolerância dos clubes do Brasileirão com técnicos estrangeiros
Levantamento revela maior tolerância dos clubes do Brasileirão com técnicos estrangeiros - Foto: Reprodução / Instagram

O Campeonato Brasileiro de 2026 ainda está em sua sexta rodada, mas já registra intensa movimentação entre os treinadores: seis técnicos foram demitidos até o momento. A saída mais recente foi de Tite, que deixou o comando do Cruzeiro após o empate de 3 a 3 com o Vasco, no último domingo, no Mineirão. Por ora, brasileiros e estrangeiros enfrentaram o mesmo número de desligamentos nesta edição — três de cada nacionalidade —, mas um levantamento revela que, desde 2019, os clubes apresentam maior tolerância com técnicos estrangeiros.

Segundo dados do Bolavip Brasil, entre os 100 trabalhos mais longos de equipes que disputaram a Série A nesse período, os treinadores estrangeiros tiveram desempenho inferior nos últimos dez jogos antes da demissão: média de 34,1% de aproveitamento, contra 42,5% dos brasileiros — o cálculo considera três pontos por vitória e um por empate, independentemente da competição. Isso indica que os clubes foram mais pacientes do que os profissionais de fora, apoiando resultados piores até a decisão pela troca de comando. Já os técnicos brasileiros deixaram suas cargas com desempenhos superiores nesse mesmo recorte, demonstrando menor tolerância dos dirigentes nacionais.

Apesar disso, os brasileiros conseguiram manter trabalhos mais longos entre 2019 e 2026. Dos 30 técnicos mais longos — todos com mais de 360 ​​dias no cargo —, apenas quatro eram estrangeiros. Ainda assim, o levantamento aponta que, nos momentos de crise, os clubes foram mais pacientes com treinadores de fora. Entre os 26 brasileiros, seis foram eliminados mesmo com mais de 50% de aproveitamento nos dez jogos finais: Rogério Ceni (São Paulo, 66,67%), Mano Menezes (Internacional, 63,34%), Ney Franco (Goiás, 56,67%), Wagner Lopes (Atlético-GO, 56,67%), Filipe Luís (Flamengo, 53,34%) e Ricardo Catalá (Mirassol, 53,34%).

Por outro lado, todos os quatro estrangeiros emitidos tiveram aproveitamento inferior a 50% no mesmo recorte. Três deles, inclusive, não atingiram nem 30% de desempenho: Juan Pablo Vojvoda (Fortaleza, 16,67%), Pedro Caixinha (Bragantino, 23,34%), Gustavo Morínigo (Coritiba, 23,34%) e Luis Zubeldía (São Paulo, 46,67%).

Em 2026, até o momento, a disputa segue equilibrada. Foram demitidos os brasileiros Fernando Diniz (Vasco), Filipe Luís (Flamengo) e Tite (Cruzeiro), além dos estrangeiros Hernán Crespo (São Paulo), Jorge Sampaoli (Atlético-MG) e Juan Carlos Osório (Remo).

Dois brasileiros citados — Fernando Diniz e Filipe Luís — integraram o levantamento dos 100 trabalhos mais longos. Diniz, por exemplo, deixou o Vasco com 33,34% de aproveitamento na reta final.