Vida e Saúde
Mpox: Ministério da Saúde vai reforçar estoques de vacinas em meio à alta de casos no Rio
Com 55 casos confirmados em outubro, cidade vive aumento na doença; no Brasil, 665 infecções e queda em relação a anos anteriores
O Ministério da Saúde anunciou que irá reforçar a vacinação contra a mpox, antiga varíola dos macacos, no Rio de Janeiro, em resposta ao aumento de casos. Devido ao número limitado de unidades disponíveis mundialmente, as doses são destinadas a públicos específicos com maior risco de exposição ou agravamento da doença: profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvírus, pessoas vivendo com HIV/Aids e indivíduos que tiveram contato direto de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados de mpox, após avaliação da vigilância em saúde.
Em nota, a pasta informa que irá "reforçar os estoques de vacinas no Rio de Janeiro, contribuindo para o controle dos casos atuais e para a preparação para o fim do ano, período de maior concentração da circulação de pessoas". "Diante do cenário epidemiológico, a imunização seguirá direcionada aos grupos recomendados", complementa. O imunizante é administrado em duas doses, com um intervalo de 28 dias entre elas.
O ministério também destacou que, até outubro deste ano, já foram notificados 665 casos de mpox no Brasil, sendo 218 deles, mais de um terço, no estado do Rio de Janeiro. Este número representa uma redução de 94% em relação aos 10.821 casos registrados em 2022, quando o vírus começou a se disseminar globalmente. No estado fluminense, a diminuição é de 84,2% em comparação aos 1.381 casos daquele ano.
Além disso, o cenário nacional mostra uma tendência de diminuição. Segundo o painel epidemiológico do Ministério da Saúde, foram confirmados 1.074 diagnósticos em 2025, refletindo uma queda em relação aos 1.989 casos de 2024. A pasta assegura que "mantém vigilância ativa em articulação com estados e municípios" e que o SUS está preparado para diagnosticar, tratar e monitorar os casos da doença.
Alta no Rio de Janeiro
Conforme os dados mais recentes do painel epidemiológico do estado do Rio de Janeiro, o número de casos confirmados de mpox atingiu 269 em 2026, uma alta de 126% em relação aos 119 registros do ano anterior.
Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reportou 55 casos apenas em outubro, o maior número para um único mês desde outubro de 2022, quando o surto global do vírus estava em queda.
Em setembro, foram confirmados 47 casos, um aumento de 261,5% em relação a agosto, quando houve apenas 13 infecções. Isso acendeu um alerta nas autoridades de saúde, visto que desde 2024 a cidade não registrava mais de 20 infecções por mês.
Ainda assim, em nota, a SMS enfatizou que os casos registrados nos últimos meses "seguem dentro da oscilação esperada desde a introdução da doença em 2022", lembrando que, naquele ano, a cidade chegou a registrar 351 casos em um único mês.
A secretaria reconhece que, em setembro, "houve uma elevação da curva da doença", mas ressalta que o "cenário epidemiológico hoje é outro". Desde 2022, a cidade enfrentou períodos com maior número de casos, como em dezembro de 2023, que registrou 46 notificações de mpox, mas com uma redução nos meses seguintes.
"A Superintendência de Vigilância em Saúde realiza monitoramento contínuo da situação epidemiológica, com investigação oportuna dos casos e acompanhamento clínico dos pacientes, além de promover medidas de prevenção em conjunto com outras áreas técnicas da SMS", complementou.
O que é a mpox?
A mpox é uma doença infecciosa provocada pelo vírus homônimo, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. Considerada uma doença zoonótica, ela inicialmente circulava entre animais em determinadas regiões do continente africano, mas se adaptou e passou a se disseminar de forma sustentada entre humanos nos últimos anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a maioria dos casos apresenta evolução leve a moderada. A transmissão acontece principalmente por contato direto com:
Lesões ou erupções na pele de pessoas infectadas;
Secreções corporais (pus, sangue das lesões, saliva);
Objetos contaminados (roupas, toalhas, lençóis, utensílios);
Contato próximo e prolongado com secreções respiratórias.
O período de incubação, que é o tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas, geralmente varia de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. Os sinais mais comuns incluem:
Erupções cutâneas ou lesões na pele
Adenomegalia (linfonodos inchados);
Febre;
Dor de cabeça;
Dores no corpo;
Calafrio;
Fraqueza;
As lesões podem ser planas ou elevadas, com líquido claro ou amarelado, evoluindo para crostas que secam e caem. Podem surgir no rosto, mãos, pés, boca, genitais, ânus e outras partes do corpo. O Ministério da Saúde recomenda procurar uma unidade de saúde se:
Apresentar lesões na pele associadas a febre ou ínguas;
Tiver contato próximo com um caso suspeito ou confirmado;
Pertencer a um grupo de maior risco de complicações: pessoas vivendo com HIV/Aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos.
O diagnóstico é realizado por meio de exame com amostras coletadas, preferencialmente a partir da secreção das lesões. A maioria dos casos evolui para melhora em 2 a 4 semanas. Não há tratamento específico aprovado para mpox, portanto, o manejo consiste no alívio dos sintomas, na prevenção e tratamento de complicações e em cuidados clínicos de suporte, caso a condição de saúde evolua para um estágio mais grave, enquanto o sistema imunológico combate o vírus.
Além da vacinação nos grupos elegíveis, o Ministério da Saúde afirma que a principal forma de prevenção é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. As recomendações incluem:
Não compartilhar objetos pessoais;
Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool em gel;
Lavar roupas, toalhas e lençóis com água e detergente;
Limpar e desinfetar superfícies;
Cumprir isolamento até o fim do período de transmissão.
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