Vida e Saúde

Implanon: Anvisa amplia validade do implante contraceptivo para cinco anos

Agência esclarece que quem já tem o Implanon pode estender o uso até o novo limite, sob orientação médica

Agência O Globo - 28/10/2026
Implanon: Anvisa amplia validade do implante contraceptivo para cinco anos
Implanon: Anvisa amplia validade do implante contraceptivo para cinco anos - Foto: Alisson Frazão/Secom Maceió

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira, a ampliação da validade do implante contraceptivo feminino Implanon de três para cinco anos. O Implanon apresenta uma elevada eficácia na prevenção de gestações indesejadas, superando 99%, e foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) no ano passado, passando a ter cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Essa indicação é voltada para todas as mulheres que desejarem adotar o método contraceptivo.

De acordo com a agência sanitária, a extensão do uso permite que "uma única inserção proporcione proteção contraceptiva por um período mais prolongado, reduzindo a necessidade de procedimentos adicionais para a troca do implante." A Anvisa esclarece ainda que aquelas que já possuem o Implanon também podem extender o uso até o novo limite, sempre sob a devida orientação médica. A ampliação já havia sido aprovada por outras autoridades regulatórias internacionais, incluindo as dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido.

"A aprovação da ampliação foi fundamentada em dados clínicos que demonstraram a manutenção da eficácia contraceptiva e um perfil de segurança favorável durante o quarto e o quinto anos de uso. No principal estudo apresentado, não foram observadas gestações durante o período estendido de utilização do implante, corroborando a manutenção da proteção contraceptiva até cinco anos após a inserção", complementa a autarquia em nota.

O Implanon é um implante subdérmico indicado para prevenir a gravidez indesejada. Trata-se de um pequeno bastão de plástico flexível, medindo 4 cm por 2 mm de diâmetro, que contém 68 mg de etonogestrel. A inserção deve ser feita diretamente sob a pele, embaixo do braço, com anestesia local, exclusivamente por um médico ou enfermeiro especializado na técnica.

O etonogestrel, um hormônio feminino, é liberado de forma contínua na corrente sanguínea ao longo do tempo. Dessa maneira, a ação do hormônio inibe a liberação do óvulo e altera a secreção do colo do útero, dificultando a entrada dos espermatozoides e evitando a gestação.

Segundo a empresa responsável pelo implante, a eficácia para prevenir a gravidez é de 99,95%, a maior observada entre todos os métodos contraceptivos. De acordo com o Ministério da Saúde, após o prazo máximo de uso, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo poderá ser inserido imediatamente. A fertilidade também retorna rapidamente após a remoção, caso a mulher decida engravidar.

Entre os métodos disponíveis no SUS, além do Implanon, apenas o DIU de cobre possui ação de longa duração. Em relação aos métodos de curto prazo, a rede pública também oferece preservativos externo e interno; anticoncepcional oral combinado; pílula oral de progestagênio; injetáveis hormonais mensal e trimestral; laqueadura tubária bilateral e vasectomia. Apenas os preservativos conferem proteção também contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Pós-parto

Nesta segunda-feira, a Anvisa também aprovou a inserção do Implanon imediatamente após o parto ou aborto, incluindo os de primeiro e segundo trimestres. Segundo a agência, a medida pode ampliar o acesso ao método e reduzir o risco de gestações indesejadas decorrentes da perda de seguimento daquela paciente após a alta hospitalar.

"A avaliação considerou evidências científicas e dados de farmacovigilância analisados pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que concluíram pela manutenção de um balanço benefício-risco favorável para essa nova condição de uso", diz a nota.