Vida e Saúde

Seu filho range os dentes dormindo? Especialista explica quando condição merece atenção

Entenda os sinais e a importância de buscar ajuda profissional

Agência O Globo - 27/10/2026
Seu filho range os dentes dormindo? Especialista explica quando condição merece atenção
Seu filho range os dentes dormindo? Especialista explica quando condição merece atenção - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Se seu filho range ou aperta os dentes enquanto dorme, ele não é uma exceção. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2022, que reuniu 22 estudos e 13.076 crianças de diferentes regiões do Brasil, encontrou uma prevalência combinada de 25,8% de bruxismo do sono e em vigília.

Medo de errar pode afastar adolescentes do esporte

Cientistas acreditam terem descoberto por que algumas pessoas têm febre após tomar vacina

Qual é o número exato de xícaras de chá que pode reduzir o risco de doenças cardíacas? Estudo chinês tem a resposta

O dado, no entanto, não significa que toda criança que range os dentes tenha um problema que precise de tratamento. Para Andréa Melo, fundadora da Sociedade Internacional de Bruxismo, cirurgiã-dentista e especialista em odontologia do sono, o mais importante é entender quando o comportamento é apenas uma manifestação comum da infância e quando existem sinais que justificam uma investigação.

“O ranger dos dentes é apenas uma das manifestações que podem ser observadas. Antes de pensar em tratamento, é fundamental compreender o que está acontecendo com aquela criança, como esse comportamento ocorre e quais outros sinais estão presentes”, explica Melo.

Ranger os dentes não significa, necessariamente, bruxismo

O som produzido durante a noite costuma ser o primeiro sinal percebido pelos pais. Mas, segundo a especialista, não é suficiente para estabelecer sozinho um diagnóstico.

O bruxismo é um fenômeno multifatorial e pode estar relacionado a diferentes aspectos: sono agitado, ronco, respiração pela boca, alterações respiratórias e fatores comportamentais estão entre os elementos investigados pela ciência.

“Não podemos olhar somente para os dentes e concluir que encontramos a causa. É preciso considerar o sono, a respiração, a rotina, aspectos comportamentais e outros fatores que podem estar envolvidos naquele caso”, explica a especialista. A literatura científica também aponta que a relação entre esses fatores é complexa e que ainda existem lacunas importantes sobre a melhor forma de avaliar e tratar o bruxismo em crianças.

5 sinais que os pais devem observar

Além do ranger dos dentes, alguns sinais podem indicar que vale conversar com um profissional:

  • Ranger ou apertar os dentes com frequência: Principalmente quando o comportamento acontece de forma recorrente durante o sono.
  • Desgaste ou alterações aparentes nos dentes
  • Mudanças na superfície ou na aparência dos dentes
  • Dor de cabeça ao acordar: Quando ocorre repetidamente, pode ser uma informação importante para a avaliação.
  • Dor, cansaço ou desconforto na mandíbula: Queixas na região da face ou dos músculos da mastigação merecem atenção.
  • Sono agitado, ronco ou respiração pela boca

Esses sinais não confirmam o bruxismo, mas podem fornecer informações relevantes sobre a qualidade do sono e ajudar na investigação.

Atenção: a presença desses sinais não significa, isoladamente, que a criança tenha bruxismo. O diagnóstico depende de avaliação profissional.

Bruxismo não é simplesmente “uma mania”

Um dos principais desafios, segundo Andréa, é evitar que o comportamento seja tratado como um hábito isolado.

“A minha preocupação sempre foi entender como podemos tornar o diagnóstico mais preciso. Quando identificamos melhor o que está acontecendo, conseguimos tomar decisões clínicas mais conscientes e evitar que o paciente seja tratado apenas pelo sintoma”, explica.

Uma revisão sistemática sobre o tratamento do bruxismo do sono em crianças e adolescentes aponta que o quadro pode estar associado a consequências como desgaste dentário, dores de cabeça e dor ou fadiga dos músculos da mastigação.

O que fazer se meu filho range os dentes?

Para Andréa Melo, o principal conselho aos pais é não entrar em pânico, mas também não ignorar sinais persistentes.

“Se os pais perceberem que o comportamento é frequente, que existe desgaste dos dentes ou que a criança apresenta algum desconforto ou alteração no sono, vale procurar um profissional para investigar. O mais importante é não tentar estabelecer sozinho se aquilo é ou não bruxismo e, principalmente, não iniciar um tratamento sem diagnóstico”, orienta Andréa.

O acompanhamento odontológico durante a infância permite observar o desenvolvimento da dentição e identificar alterações que podem precisar de investigação. A saúde bucal, nesse sentido, não se resume à prevenção de cáries: também envolve acompanhar hábitos, sono, respiração e possíveis sinais que interfiram no bem-estar da criança.

Informação ajuda a evitar diagnósticos precipitados

Para Andréa, ampliar o conhecimento sobre o bruxismo infantil é importante justamente porque o tema pode ser interpretado de maneira simplificada.

“Quando falamos de saúde bucal infantil, precisamos olhar para a criança como um todo. Informação de qualidade ajuda os pais a perceber os sinais e procurar ajuda no momento adequado, sem transformar um comportamento em diagnóstico ou, no sentido contrário, deixar uma alteração importante passar despercebida”, conclui.