Vida e Saúde

Fumaça de incêndios florestais pode elevar casos de câncer de cabeça e pescoço, revela estudo de Harvard; entenda

Pesquisadores analisaram 16 anos de dados sobre incêndios florestais e incidências de câncer

Agência O Globo - 27/10/2026
Fumaça de incêndios florestais pode elevar casos de câncer de cabeça e pescoço, revela estudo de Harvard; entenda
- Foto: Reprodução

Pesquisadores da Universidade de Harvard apontam que a poluição atmosférica resultante de incêndios florestais é dez vezes mais prejudicial à saúde do que a poluição emitida por veículos. Essa fumaça contém concentrações elevadas de partículas microscópicas cancerígenas conhecidas como PM2,5, o que pode levar a um aumento nos casos de câncer de cabeça e pescoço.

Segundo os investigadores, a inalação dessas partículas tóxicas pode elevar o risco de câncer na garganta, cabeça e pescoço. Ao analisarem 16 anos de dados sobre incêndios florestais e suas correlações com a incidência de câncer, descobriram que a exposição à poluição oriunda da fumaça proveniente desses incêndios aumenta o risco de câncer em 6%, podendo alcançar até 41% para aqueles que estão expostos anualmente.

"Esses resultados reforçam o crescente conjunto de evidências que associam a poluição do ar gerada por incêndios florestais a efeitos adversos à saúde e destacam a necessidade de regulamentações mais rigorosas para mitigar os impactos das mudanças climáticas", destacam os pesquisadores em artigo publicado na revista The Laryngoscope.

O câncer de cabeça e pescoço engloba tumores que podem surgir na cavidade oral, língua, garganta, laringe, faringe, cavidade nasal, seios da face e glândulas salivares. Embora cada região tenha características próprias, esses tumores costumam dividir fatores de risco e sintomas semelhantes, que frequentemente são confundidos com infecções ou inflamações benignas.

Sintomas

Rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam após duas semanas, dificuldades para engolir e caroços no pescoço podem ser sinais de câncer de cabeça e pescoço.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra aproximadamente 39 mil novos casos desse grupo de tumores anualmente, ressaltando a importância do reconhecimento precoce dos sinais de alerta e da busca por avaliação médica.

Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na mucosa, sangramentos sem causa aparente, dor de garganta contínua e aumento de gânglios no pescoço também estão entre os principais sintomas. Entretanto, a presença desses sinais não significa necessariamente a ocorrência de câncer, mas sua persistência por mais de duas ou três semanas deve ser motivo para uma avaliação médica criteriosa.

O tabagismo continua sendo o principal fator de risco para esses tumores, especialmente quando aliado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Nos últimos anos, especialistas têm observado um aumento de casos relacionados à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente em tumores da orofaringe. A exposição solar sem proteção, particularmente para o câncer de lábio, e a má higiene bucal também são fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença.