Vida e Saúde

HIV: farmacêutica que desenvolve medicamento semestral de prevenção se compromete a avançar em negociações para produção no Brasil, diz Opas

Em comunicado enviado à imprensa, Organização Pan-Americana de Saúde anunciou um novo acordo que facilita o acesso de 14 países à droga que protege contra a doença por seis meses

Agência O Globo - 15/09/2026
HIV: farmacêutica que desenvolve medicamento semestral de prevenção se compromete a avançar em negociações para produção no Brasil, diz Opas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) anunciou que um novo acordo com a farmacêutica Gilead Sciences facilitará o acesso de 14 países ao lenacapavir, medicamento de longa duração que protege da infecção do vírus HIV. No mesmo comunicado, a entidade afirmou que "Gilead também se comprometeu a avançar em um processo de transferência de tecnologia no Brasil, com o objetivo de facilitar a produção local de lenacapavir no futuro."

O acordo beneficiará Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A ideia é que esses países adquiram o lenacapavir por meio dos Fundos Rotativos Regionais da OPAS, o que facilita a negociação com a farmacêutica. Cada país deverá respeitar, diz a Opas, processos regulatórios internos conforme seus próprios regimentos.

De acordo com a Opas, a Gilead se comprometeu "a avançar em um processo de transferência de tecnologia no Brasil, com o objetivo de facilitar a produção local de lenacapavir no futuro." O processo ainda não foi finalizado e não há horizonte de prazos. "A longo prazo, o aumento da capacidade de produção regional poderia contribuir para uma maior disponibilidade de lenacapavir e condições de aquisição mais sustentáveis", diz a Opas.

O lenacapavir é um medicamento injetável de ação prolongada para profilaxia pré-exposição (PrEP), administrado duas vezes ao ano, ou seja, protege quem o usa ao longo de seis meses. No ano passado, a OMS recomendou a droga após seus estudos demonstrarem quase 100% de eficácia na proteção contra o vírus HIV. A (Anvisa) concedeu o registro, ou seja, a aprovação, do medicamento em janeiro deste ano.

— Hoje, as Américas dispõem de ferramentas cada vez mais eficazes para prevenir o HIV, mas essas inovações só terão impacto se chegarem às pessoas que delas necessitam — afirmou o Diretor da Opas, Jarbas Barbosa, em comunicado à imprensa. — Esta iniciativa é um passo importante para reduzir as lacunas no acesso ao lenacapavir, ampliar as opções de prevenção disponíveis para os países e avançar nos esforços para acabar com o HIV como problema de saúde pública —, acrescentou ele.