Vida e Saúde

Viver em cidades poluídas aumenta o risco de catarata e glaucoma, mostra novo estudo

Pessoas que viviam nas áreas mais poluídas apresentavam um risco até 70% maior de glaucoma; o risco de catarata também aumentava à medida que a poluição crescia

Agência O Globo - 15/09/2026
Viver em cidades poluídas aumenta o risco de catarata e glaucoma, mostra novo estudo
Viver em cidades poluídas aumenta o risco de catarata e glaucoma, mostra novo estudo - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma nova e ampla análise indica que os danos da poluição do ar vão muito além do coração, pulmões e cérebro, segundo informações do site especializado Study Finds. De acordo com um estudo apresentado no 44º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Refrativa (ESCRS), indivíduos que vivem em áreas mais poluídas correm um risco maior de desenvolver tanto glaucoma quanto catarata, duas das principais causas de perda de visão em todo o mundo.

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"Sabemos há anos que a poluição do ar prejudica os pulmões e o coração, mas seus efeitos sobre os olhos foram muito menos estudados, e as evidências existentes eram dispersas e inconclusivas", disse o médico Ahmed Alnabihi, líder do estudo, durante a apresentação.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Hospital e Centro de Pesquisa Oftalmológica King Khaled, em Riad (Arábia Saudita), reuniram dados de 41 estudos abrangendo milhões de pessoas no Leste Asiático e no Reino Unido. Ao contrário do coração ou dos pulmões, que ficam protegidos dentro da caixa torácica, o olho permanece totalmente exposto a tudo o que está no ar.

Os resultados mostraram que pessoas que viviam nas áreas mais poluídas apresentavam uma probabilidade até 70% maior de desenvolver glaucoma em comparação com aquelas que respiravam o ar mais limpo. O risco de catarata também aumentou, acompanhando a elevação dos níveis de poluição.

Para cada incremento significativo na exposição a material particulado fino, o risco de glaucoma subia cerca de 8% e o de catarata, cerca de 4%, segundo Alnabihi. As associações com a degeneração macular relacionada à idade foram menos consistentes, e outros poluentes, incluindo dióxido de nitrogênio e ozônio, apresentaram correlações mais fracas.

Segundo Alnabihi, acredita-se que o material particulado fino — minúsculas partículas geradas pela fumaça, escapamentos de veículos e poluição industrial, pequenas o suficiente para penetrar profundamente no organismo, conhecido como PM 2.5 — provoque inflamação e estresse oxidativo no corpo. Ao longo de anos de exposição, tais efeitos podem danificar o nervo óptico (associado ao glaucoma) ou o cristalino (associado à catarata).

A catarata afeta cerca de 94 milhões de pessoas em todo o mundo, e o glaucoma, aproximadamente 7,7 milhões, observou ela.

"Ambas as condições tornam-se mais comuns com o envelhecimento, mas este estudo indica que pessoas expostas a níveis mais elevados de poluição do ar também correm um risco maior", afirma Filomena Ribeiro, ex-presidente imediata da ESCRS e chefe de oftalmologia do Hospital da Luz, em Lisboa, que não participou da pesquisa.