Vida e Saúde
Como Receita Federal e Anvisa agilizaram liberação de substância experimental para Lito Sousa no Aeroporto de Guarulhos
Produto foi liberado para uso compassivo e teve despacho concluído rapidamente após desembarcar; influenciador é primeiro paciente a testar composto contra doença rara
Uma operação conjunta entre a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permitiu a liberação rápida, na madrugada de sábado (12), de uma substância experimental destinada ao tratamento do influenciador Lito Sousa, de 59 anos, diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob. O produto, que veio de Nova York, nos Estados Unidos, chegou ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e teve o despacho aduaneiro concluído em poucos minutos.
Caso Lito:
A agilidade era considerada importante porque o potencial terapêutico da substância pode diminuir rapidamente com o passar das horas. Logo após o desembarque, o produto foi levado diretamente da aeronave para um helicóptero, que o transportou até o Hospital Israelita Albert Einstein, onde Lito é acompanhado.
"A rapidez da operação foi resultado da atuação coordenada entre a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", afirmou a Receita, em nota. Segundo o órgão, o planejamento prévio entre as equipes permitiu antecipar os procedimentos necessários e evitar atrasos na logística.
Confira:
Substância ainda não foi testada em humanos para a doença
A Anvisa autorizou, em 4 de setembro, a importação excepcional do ALN-6457, produzido pela Regeneron Pharmaceuticals. O composto está em fase pré-clínica e ainda não teve estudos formalmente iniciados em seres humanos para a doença priônica. Por isso, Lito será o primeiro paciente a receber a substância nesse contexto.
A autorização ocorreu pelo mecanismo de uso compassivo, que permite o acesso de pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas a produtos ainda experimentais. Segundo Mila Seidl, esposa de Lito, a família apresentou exames, documentos científicos e informações fornecidas pela farmacêutica para embasar o pedido.
— A gente apresentou bastante documentação, e estava bem robusto. Eu me preparei bastante — disse.
Inicialmente, a família tentou incluir Lito em um estudo experimental, mas não havia mais vagas. Depois, buscou o uso compassivo. O pedido de importação foi formalizado pelo Einstein após a farmacêutica aceitar o caso.
— A gente participou dos estudos e foi negado. Não porque ele não preenchia os requisitos, mas porque estava tudo fechado. Então, a gente seguiu para outro caminho — afirmou Mila.
Doença rara e sem tratamento capaz de interromper evolução
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma condição neurológica rara causada por príons e provoca deterioração progressiva do cérebro. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados entre 2005 e 2021. Cerca de 90% dos pacientes evoluem para a morte entre seis meses e um ano após o início dos sintomas.
Lito recebeu alta do Einstein em 1º de setembro e passou a ser acompanhado em casa por uma equipe multidisciplinar. Em vídeo publicado quatro dias depois, afirmou que suas chances de sobrevivência haviam aumentado e disse que pretendia explicar aos seguidores os detalhes do tratamento experimental após receber a substância.
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