Vida e Saúde

Café da manhã pode influenciar os níveis de glicose na refeição seguinte, aponta estudo

Pesquisa da Universidade Vanderbilt identificou papel do glucagon no chamado “efeito da segunda refeição”, mecanismo que influencia a forma como o fígado processa a glicose horas depois.

Agência O Globo - 06/09/2026
Café da manhã pode influenciar os níveis de glicose na refeição seguinte, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O que uma pessoa come no café da manhã pode influenciar a maneira como o organismo administra a glicose na refeição seguinte. É o chamado “efeito da segunda refeição”, um fenômeno metabólico já conhecido pelos pesquisadores, mas cujo mecanismo começa a ser melhor compreendido a partir de um novo estudo da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos.

Publicado na revista Frontiers in Endocrinology em abril, o trabalho identificou um papel importante do glucagon, hormônio que atua em conjunto com a insulina na regulação da glicose no sangue. Segundo os pesquisadores, os níveis de glucagon pela manhã podem deixar uma espécie de “memória metabólica” no fígado, alterando sua resposta à refeição seguinte.

A insulina e o glucagon têm funções opostas. Enquanto a insulina ajuda a retirar a glicose do sangue e favorece seu armazenamento, o glucagon estimula o fígado a liberar glicose na circulação. A equipe de Vanderbilt investigou se os efeitos do glucagon permaneciam no organismo depois da primeira refeição e poderiam interferir no metabolismo horas mais tarde.

Nos experimentos, os pesquisadores observaram que, quando os níveis de glucagon estavam elevados pela manhã, o fígado apresentava maior dificuldade para armazenar glicose na refeição seguinte. Mesmo quando os níveis de insulina e de glicose eram semelhantes no segundo momento, o órgão continuava liberando glicose no sangue.

Os cientistas associaram esse comportamento à redução dos níveis de glucocinase, enzima que ajuda o fígado a captar e armazenar açúcar. O resultado sugere que o glucagon pode ter uma participação mais importante no “efeito da segunda refeição” do que se imaginava anteriormente.

A descoberta pode ser especialmente relevante para pessoas com diabetes tipo 2. De acordo com os pesquisadores, o mecanismo ajuda a explicar por que os níveis de glicose podem aumentar ao longo do dia mesmo quando as medições feitas pela manhã estão dentro de parâmetros considerados normais.

O estudo também pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de tratamento que considerem simultaneamente a ação da insulina e do glucagon, em vez de focar apenas no primeiro hormônio.

A pesquisa foi conduzida por uma equipe do Departamento de Fisiologia Molecular e Biofísica da Vanderbilt. O trabalho foi liderado pela pesquisadora Hannah Waterman, sob supervisão de Alan Cherrington, Jacquelyn Turner e Dale Edgerton. Os experimentos foram realizados em cães, portanto os resultados ainda não significam que o mesmo mecanismo tenha sido definitivamente demonstrado em seres humanos.

Os pesquisadores agora pretendem investigar quais mecanismos moleculares estão por trás dessa memória metabólica e como ela pode ser alterada em doenças metabólicas.