Vida e Saúde
Tem filho e vai ao Rock in Rio? Saiba como preparar o bebê que só dorme com os pais
Especialista em sono do bebê, Eliana Dias explica por que a preparação deve começar antes mesmo do festival
O Rock in Rio é sinônimo de música, diversão e noites fora da rotina, mas, para pais de bebês que dependem da presença deles para adormecer, a programação pode trazer uma preocupação extra: o que acontecerá na hora de dormir enquanto eles estiverem no festival?
Para Eliana Dias, especialista em sono do bebê, o principal erro é deixar essa experiência para a própria noite do evento.
Apresentar um novo cuidador
Se outra pessoa será responsável pelo bebê durante várias horas e também precisará conduzir o sono, é importante que ela participe da rotina com antecedência: “Não considero adequado que a primeira experiência do bebê sendo colocado para dormir por outro cuidador aconteça justamente na noite em que os pais estarão fora por várias horas”, afirma Dias.
“Essa pessoa precisa conhecer a rotina da criança, saber reconhecer seus sinais e participar desse processo antes. A mudança pode ser feita gradualmente, sem esperar o dia do festival para descobrir como o bebê vai reagir”, explica a especialista.
A preparação pode começar com a participação do cuidador em diferentes momentos da rotina, enquanto os pais ainda estão presentes. Aos poucos, ele pode assumir etapas como banho, troca de roupa e preparação do ambiente e, posteriormente, participar também da condução do sono.
Para a especialista, essa preparação é especialmente importante quando o bebê aprendeu a adormecer somente com a presença ou a intervenção dos pais.
“Quando uma criança só consegue dormir de uma determinada maneira, retirar de uma vez a referência que ela conhece pode tornar aquele momento muito mais difícil”, adiciona Dias.
“Sono também envolve aprendizado. Por isso, em vez de simplesmente trocar os pais pelo cuidador na noite do festival, é mais interessante ampliar essas referências anteriormente e permitir que o bebê conheça outras formas de ser conduzido ao sono”, afirma.
Manter a organização habitual da noite também ajuda
O horário de dormir, a sequência das atividades e as condições adequadas do ambiente devem permanecer tão próximas quanto possível da rotina que a criança já conhece. “Previsibilidade é muito importante para o sono. Se os pais vão sair, não precisamos modificar todo o restante. Quanto mais organizada estiver a rotina e quanto mais preparado estiver o cuidador, menos mudanças serão concentradas em uma única noite”, explica Eliana.
A especialista também recomenda evitar uma série de alterações simultâneas nos dias que antecedem o evento. Mudar bruscamente os horários, criar novas formas de adormecer apenas para aquela ocasião ou tentar resolver em poucos dias uma dependência que já está estabelecida pode aumentar a dificuldade.
Se existe tempo até o festival, esse período pode ser usado não apenas para aproximar o cuidador, mas também para trabalhar gradualmente a autonomia do sono, de acordo com a idade e com o estágio de desenvolvimento da criança.
“Dormir é um aprendizado. Quando o bebê desenvolve recursos para adormecer sem depender exclusivamente da presença de uma única pessoa, situações como essa tendem a ficar mais simples. Isso não significa fazer uma mudança abrupta porque os pais querem ir ao festival. Significa aproveitar o período anterior para organizar o sono de maneira consistente”, afirma.
Outro cuidado é deixar todas as informações necessárias com quem ficará responsável pela criança: horários habituais, alimentação, rotina de sono, formas de acalmar e particularidades que precisam ser observadas. Na hora de ir ao festival, despedidas muito prolongadas também não são necessárias.
E, se nos testes realizados antes do evento a criança apresentar muita dificuldade para dormir sem os pais, isso deve ser considerado no planejamento: “O festival tem data marcada. Por isso, existe uma vantagem: os pais sabem antecipadamente quando precisarão estar ausentes e podem se preparar. Quanto mais cedo começarem a organizar essa transição, maiores serão as chances de o cuidador e o bebê chegarem àquela noite já familiarizados com a nova dinâmica”, conclui Eliana Dias.
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