Vida e Saúde

Febre no Nilo: São Paulo intensifica o monitoramento de casos da infecção; entenda

Coordenadora da Vigilância em Saúde afirma que não há risco de epidemia; objetivo é monitorar a distribuição da doença em todo o território

Agência O Globo - 04/09/2026
Febre no Nilo: São Paulo intensifica o monitoramento de casos da infecção; entenda
Febre do Nilo

O estado de São Paulo decidiu incluir a febre do Nilo no painel viral de arboviroses, realizado rotineiramente por unidades sentinela de saúde espalhadas por todo o território. O objetivo, de acordo com Regiane de Paula, coordenadora da Vigilância em Saúde do estado de SP, é monitorar a distribuição da doença.

— A nossa preocupação é já estarmos preparados e colocarmos no painel um outro vírus para que possamos monitorar a distribuição (da doença) em todo o território. Mas não há preocupação em relação a uma possível epidemia — diz Regiane.

Recentemente, o estado de São Paulo confirmou seus dois primeiros casos na história em duas cidades do interior: Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Outros dois casos também foram confirmados este ano em Santa Catarina, nas cidades de Caçador e Imbituba, sendo que o segundo evoluiu para óbito.

A febre do Nilo é uma doença transmitida pela picada do mosquito Culex, o pernilongo comum. Os hospedeiros naturais do vírus do Nilo Ocidental são algumas espécies de aves silvestres. Os pernilongos picam as aves hospedeiras, se contaminam e passam a transmitir a doença.

Regiane explica que atualmente existe uma importante rota migratória de aves que vem da Argentina e percorre o caminho que passa por estados como Santa Catarina e São Paulo.

— Quando falamos de aves migratórias, temos que lembrar que está acontecendo o El Niño e há previsão de um super El Niño, então existem características dessas aves migratórias que estão se diferenciando. Eu preciso montar uma vigilância em saúde que me dê condições de avaliar o que está acontecendo no território — explica a coordenadora da Vigilância em Saúde do estado de SP. — Esse é um procedimento de vigilância em saúde. Frente a esses dois novos casos que tivemos no estado, decidimos colocar a febre do Nilo como sendo um diagnóstico diferencial nesses sentinelas.

Unidades sentinela

Em 2024, quando houve uma importante epidemia de dengue no Brasil e São Paulo foi um dos estados mais afetados, foi implementado um sistema de 73 unidades sentinelas - que pode ser uma UBS, um hospital ou uma UPA - distribuídas estrategicamente em todo o estado para fazer testagem de dengue, zika, chikungunya, mayaro, oropouche e febre amarela.

— Um paciente que chega em uma dessas sentinelas com sinais e sintomas de arbovirose é submetido a uma coleta de amostras que é enviada para testagem no Instituto Adolfo Lutz — explica Regiane. — Agora, vamos fazer todos esses painéis virais, mais a febre do Nilo.

Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de SP, ressalta que essas sentinelas são exclusivas aqui do estado de São Paulo.

— Somos o primeiro estado a implantar isso no ano de 2024 e também o primeiro estado a incluir no painel viral para diagnóstico diferencial a febre do Nilo — diz Tatiana.