Vida e Saúde
Vacina contra herpes-zóster reduz doenças cardiovasculares, revela estudo
Pesquisadores de Oxford observam fator protetivo em adultos acima de 60 anos
A vacina recombinante contra a herpes-zóster, infecção causada pela reativação do vírus varicela-zóster, que também provoca a varicela (ou catapora), demonstrou reduzir em 9% as chances de doenças cardiovasculares ao longo de sete anos, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica Nature Medicine. Os resultados foram observados em adultos com mais de 60 anos.
Os pesquisadores da Universidade de Oxford envolvidos na pesquisa notaram que o grupo de vacinados apresentou menores chances de desenvolver problemas como doença isquêmica do coração (DIC), insuficiência cardíaca e fibrilação atrial. Outro dado relevante é que a associação da vacina com o benefício protetivo tende a diminuir após o período de sete anos.
Para a análise, foram utilizados dados de mais de 30 mil adultos americanos vacinados contra o vírus. Além disso, nenhum participante recebeu imunossupressores, corticosteroides, quimioterapia ou radioterapia no ano anterior à primeira vacinação contra herpes-zóster, tratamentos esses que poderiam interferir nos resultados da pesquisa.
"Uma explicação mais plausível é que a vacina recombinante possa induzir alterações imunológicas e endoteliais que poderiam ser cardioprotetoras. Essas alterações imunológicas podem ser temporárias, o que está de acordo com a atenuação da associação na segunda metade do período de acompanhamento e corrobora estudos que investigam os efeitos da vacinação repetida em intervalos regulares", escreveram os autores.
Conhecido como Shingrix, o imunizante segue um esquema de duas doses, administradas com um intervalo de dois a seis meses. No Brasil, é recomendado para pessoas acima dos 50 anos e para indivíduos imunossuprimidos a partir de 18 anos. Após uma decisão recente, o Ministério da Saúde optou por não incorporar o imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS), tornando a vacina disponível apenas na rede privada (clínicas de vacinação, laboratórios e farmácias).
Como ocorre a infecção por herpes-zóster?
Após contrair catapora, geralmente na infância, o vírus permanece latente nas células nervosas por toda a vida. Em pessoas idosas ou com sistema imunológico enfraquecido, o vírus latente pode reativar-se e causar herpes-zóster.
Uma vez reativado, pode causar uma inflamação que resulta em uma erupção na pele, acompanhada de pequenas bolhas (vesículas), causando dor intensa, um dos efeitos mais temidos da doença. Essa dor pode persistir mesmo após a recuperação das erupções cutâneas, tornando-se crônica.
No entanto, a infecção é contagiosa apenas entre pessoas que nunca tiveram catapora e que entram em contato com o conteúdo das vesículas do herpes-zóster. Nesse caso, a pessoa não desenvolverá herpes-zóster, mas catapora.
O contágio ocorre por meio do líquido das bolhas da pele ou por objetos contaminados pelo vírus. Se a pessoa nunca teve essa infecção ou não foi vacinada e teve contato direto com as lesões cutâneas, o risco de transmissão é maior.
Uma das formas de evitar o quadro mais grave é ficar atento aos primeiros sinais, que incluem o aparecimento das erupções cutâneas acompanhadas de febre, cansaço, dores corporais e formigamentos. A recuperação total se dá entre 2 a 4 semanas, desde que não ocorram complicações.
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