Vida e Saúde
'Oportunidades de expandir a consciência': novo estudo revela as vantagens de ser solteiro
Pesquisadores examinaram o que chamam de “potencial de autoexpansão da solteirice” e descobriram o lado bom de estar sozinho
Tem quem goste, tem quem não consiga e tem quem deteste: ficar solteiro, para alguns, é um pesadelo; para outros, um sonho. Agora, quem aprecia a solitude encontra respaldo na ciência: uma pesquisa publicada no Personality and Social Psychology Bulletin em agosto deste ano revelou o “lado bom” da solteirice.
Os cientistas examinaram o que eles designaram como “potencial de autoexpansão da solteirice”, abordando a ideia de que estar solteiro pode oferecer oportunidades de expandir a consciência e o autoconhecimento de uma forma que antes era associada a estar em um relacionamento.
“Um princípio central da teoria da autoexpansão é que as pessoas se autoexpandem por meio de relacionamentos íntimos, particularmente com parceiros românticos”, afirma o estudo. “Nossa pesquisa amplia o conhecimento da teoria da autoexpansão, demonstrando que pessoas solteiras se autoexpandem na presença de pessoas próximas”.
Como o estudo foi realizado
Para investigar se estar solteiro pode ser uma oportunidade de crescimento pessoal — e não apenas uma ausência de relacionamento amoroso —, os pesquisadores conduziram três estudos com 130 pessoas solteiras, recrutadas entre estudantes de psicologia de uma universidade canadense.
Com idades variando entre 19 e 49 anos — e uma média de 23 anos —, os voluntários preencheram um questionário para avaliar suas crenças sobre como a solteirice poderia ajudá-los a crescer pessoalmente.
Foram 14 dias de um “diário”, no qual respondiam diariamente a perguntas sobre satisfação em estar solteiro; apreensão em permanecer solteiro; satisfação com a própria vida; atendimento de necessidades psicológicas; e experiências que proporcionavam aprendizado, crescimento ou a realização de algo novo.
Em um segundo estudo, 146 solteiros responderam a questionários uma vez por semana por mais seis semanas. Nesse caso, os pesquisadores também perguntaram sobre as atividades realizadas e as companhias nessa jornada.
Por último, para testar a causalidade, 346 pessoas solteiras, recrutadas por uma plataforma online, foram divididas em dois grupos. Um grupo foi incentivado a imaginar atividades rotineiras e previsíveis que poderiam realizar enquanto solteiros, enquanto o outro foi estimulado a imaginar atividades novas, excitantes e espontâneas que poderiam desenvolver.
Após os exercícios, todos responderam aos mesmos questionários das pesquisas anteriores.
Descobertas do estudo
O estudo revelou que aqueles que tinham crenças mais robustas sobre o potencial de crescimento da solteirice engajaram-se em mais atividades de desenvolvimento pessoal, que variavam desde caminhadas e experimentação de novos restaurantes até o aprendizado de novas habilidades e a prática de esportes.
Essas mesmas pessoas demonstraram maior satisfação em estar solteiras e com a vida como um todo, além de experimentar menos medo da solidão, sentindo-se mais autônomas e competentes.
É importante ressaltar que essas atividades não eram solitárias: 82% dos “solteirões” contavam com a companhia de amigos e familiares para realizá-las.
Como melhorar a experiência da solteirice
A “autoexpansão” durante a solteirice não requer grandes empreendimentos ou viagens longas e custosas. Na verdade, pequenas atividades, mas novas, são suficientes para tornar esse período mais “expansivo” e proveitoso.
Algumas sugestões incluem simplesmente experimentar coisas novas: um prato diferente, um esporte inédito ou até iniciar estudos sobre um tema diferente.
Outra forma de buscar o “autoconhecimento” — que não necessitam incluir ioga ou retiros budistas — é por meio de diários, que são uma ótima ferramenta para auto-reflexão. “A terapia pode ser um excelente recurso para aprimorar o autoconhecimento e avaliar sistemas de crenças que podem afetar sua autoestima ou seu potencial de expansão pessoal na solteirice”, complementa Mandolin Moody, terapeuta, em entrevista ao Washington Post.
Outras atividades recomendadas incluem buscar novas comunidades, uma maneira de expandir suas relações de forma não romântica. Afinal, nem toda nova relação na vida adulta precisa ser um namoro; por outro lado, viajar sozinho também se revela uma ótima oportunidade para exercitar sua “autoexpansão”.
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