Vida e Saúde
Você pode ser o culpado por ser mais picado por mosquitos: entenda como
Química da sua pele pode ser principal chamariz de mosquitos, aponta estudo
À medida que a primavera se aproxima, o clima esquenta e os mosquitos voltam com tudo: além de atrapalharem nosso sono à noite, ainda nos picam, provocando uma coceira insuportável.
Um novo estudo da Universidade de Rockefeller, em Nova York, acredita ter encontrado a explicação para isso: a resposta pode estar nos ácidos naturais presentes na pele, que atraem diferentes tipos de mosquitos.
“Queremos entender quais são os riscos que as pessoas correm ao serem picadas, porque todos os mosquitos que estudamos são vetores de doenças,” afirma Matthew DeGennaro, neurogeneticista da Universidade Internacional da Flórida, que é parceira do estudo.
Ele acredita que, ao compreender o sistema de atração desses mosquitos, é possível manipular moléculas e bactérias que influenciam esse mecanismo, desenvolvendo repelentes comerciais mais eficazes.
Como o estudo foi realizado
Para isso, DeGennaro e sua equipe recrutaram 119 voluntários. Os mosquitos foram expostos aos odores de cada participante, envolvendo exemplares das espécies Aedes aegypti, Aedes albopictus e, por fim, insetos da espécie Culex quinquefasciatus.
No caso dos insetos que atuam durante o dia, como o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, os voluntários colocaram suas mãos em um dispositivo que permitiu que seus odores fossem cheirados, mas não picados.
Para os mosquitos noturnos, Culex quinquefasciatus, os participantes vestiram camisas de manga longa por várias horas; depois, o material foi colocado dentro das gaiolas dos mosquitos.
A partir disso, os cientistas contaram quantos mosquitos de cada espécie estavam em cada braço ou pedaço de pano.
O que foi descoberto
Os pesquisadores descobriram que pessoas altamente atraentes para o mosquito Aedes aegypti (transmissor de dengue, zika e chikungunya) produzem níveis muito mais altos de ácidos carboxílicos (um tipo de ácido graxo) na pele do que pessoas menos atraentes.
No caso dos Aedes aegypti, os cientistas também notaram uma leve preferência por homens.
Outros marcadores descobertos foram o odor corporal — que atraiu menos o Aedes aegypti e o Culex quinquefasciatus. Já o Aedes albopictus se mostrou bastante interessado em substâncias com odores de plantas.
Agora, a equipe pretende investigar como e onde essas substâncias são produzidas, que tanto atraem os mosquitos. Segundo eles, a pesquisa deve auxiliar no desenvolvimento de repelentes à base de micróbios.
“Todos nós estamos tentando descobrir como impedir que as pessoas fiquem doentes”, declara Kaylee Marrero, neurobióloga especializada em mosquitos da Universidade Internacional da Flórida. “Descobrir por que [os mosquitos] picam as pessoas é a melhor maneira de fazer isso.”
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