Vida e Saúde

Anomalia de Ebstein: entenda a doença rara da filha de Juliano Cazarré

Maria Guilhermina deu entrada no Centro de Terapia Intensiva neste domingo

Agência O Globo - 31/08/2026
Anomalia de Ebstein: entenda a doença rara da filha de Juliano Cazarré
Juliano Cazarré - Foto: Reprodução / Instagram

A filha de Leticia e Juliano Cazarré, Maria Guilhermina, de 4 anos, deu entrada no Centro de Terapia Intensiva neste domingo. A menina já passou por múltiplas cirurgias e procedimentos médicos desde o seu nascimento em junho de 2022. Ela nasceu com uma rara cardiopatia congênita e convive com sequelas da anomalia de Ebstein.

Letícia compartilhou a notícia nas redes sociais e pediu orações pela recuperação da filha, afirmando que a criança está estável, mas necessita de suporte e da realização de exames.

"Depois de quatro dias doente, um deles sentada trabalhando 10h seguidas, eu jurei que o meu domingo seria 100% de descanso (merecido!) e com as crianças. Quantas vezes pode alguém se enganar? Céus! Deus tinha, obviamente, outros planos. E, claro, mesmo que eu não entenda, os planos dEle são sempre melhores e mais perfeitos que os nossos. Maria Guilhermina está estável, mas precisando de suporte e de exames. Quando a gente entra no CTI, nunca sabe quando vai sair. Reze com a gente para que seja breve!" escreveu ela.

O que é a anomalia de Ebstein?

A anomalia de Ebstein é uma cardiopatia rara da válvula tricúspide, a responsável por separar o átrio direito do ventrículo direito do coração. Essa estrutura é considerada a "porta de entrada" do coração, pois permite que o sangue venoso (que já oxigenou o organismo) retorne ao coração. O sangue entra pelo átrio direito, passa pela válvula tricúspide, vai para o ventrículo direito, onde é bombeado para o coração para ser oxigenado novamente.

Na anomalia de Ebstein, a válvula tricúspide fica abaixo do normal, já "dentro" do ventrículo direito. Isso faz com que uma porção do ventrículo se torne parte do átrio, aumentando o tamanho do átrio direito, que não funciona adequadamente. Além disso, as estruturas da válvula tricúspide têm formato anormal, o que pode levar ao refluxo de sangue para o átrio.

Muitas pessoas com anomalia de Ebstein têm um orifício entre as duas câmaras superiores do coração, chamado defeito do septo atrial ou uma abertura chamada forame oval patente (FOP). Um FOP é um buraco entre as câmaras cardíacas superiores que todos os bebês têm antes do nascimento e que geralmente se fecha após o nascimento. Ele pode permanecer aberto em algumas pessoas sem causar problemas. Esses orifícios podem diminuir a quantidade de oxigênio disponível no sangue, causando uma descoloração azulada dos lábios e da pele (cianose).

A anomalia de Ebstein também pode levar ao aumento do coração e insuficiência cardíaca. Além disso, pessoas com essa anomalia não tratada podem sofrer com arritmia cardíaca.

Causas e tratamento

Não há uma causa definida para o problema. Os médicos não têm certeza de quais fatores de risco estão associados ao defeito. Acredita-se que fatores genéticos e ambientais desempenhem um papel. Uma história familiar de defeitos cardíacos ou o uso de certos medicamentos pela mãe, como o lítio, durante a gravidez, pode aumentar o risco de anomalia de Ebstein na criança.

Problemas cardíacos, como a anomalia de Ebstein, podem ser percebidos durante o pré-natal, na ultrassonografia morfológica. Quando há suspeita da doença, a gestante é orientada a realizar um ecocardiograma fetal para diagnosticar a condição.

O tratamento é cirúrgico e, normalmente, definitivo. Na operação, a válvula pode ser trocada ou restaurada.