Vida e Saúde
Hepatite: Brasil se une a estudo internacional liderado pela Johns Hopkins para a cura da doença
Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e a Universidade de São Paulo (USP) farão parte de consórcio de pesquisa
Um estudo encabeçado pela Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, busca compreender os mecanismos da hepatite B e terá a participação do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes) e da Universidade de São Paulo (USP).
O consórcio de pesquisa incluirá ainda instituições de ensino da Índia, Senegal e Uganda. A hepatite B é viral, ou seja, ocorre a partir de um vírus. Dessa forma, será analisado o comportamento do vírus no sistema imunológico de pessoas de diferentes países e como se deu essa resposta imunológica. Outro ponto que será investigado é o que acontece com o organismo quando uma pessoa é infectada pela hepatite B e pelo HIV simultaneamente.
No Brasil, a pesquisa já teve início neste ano. Ao todo, 150 brasileiros com hepatite B e coinfecção por hepatite B e HIV participarão do estudo durante quatro anos e meio. O estudo contará com 600 participantes, que ajudarão os pesquisadores a entender melhor quais características genéticas são capazes de proteger as pessoas de uma evolução mais rápida e quais subpartículas do vírus podem funcionar como preditores de cura ou de tratamento.
“Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B. [O que for achado] pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores ou imunomoduladores”, afirma a professora do Hucam-Ufes, Tânia Reuter, em comunicado.
A pesquisadora corre contra o tempo. Atualmente, ela conta com 40 participantes em seu laboratório e pretende encontrar outros 35 até dezembro. O prazo dado pelo consórcio é até meados do ano que vem.
A hepatite B é viral e ocorre devido à exposição a fluidos corporais infectados. Isso pode acontecer durante relações sexuais sem preservativos, compartilhamento de materiais de higiene pessoal, confecção de tatuagens e aplicação de piercings, além de procedimentos odontológicos ou cirúrgicos que não seguem medidas sanitárias.
Outras formas de transmissão incluem o compartilhamento de materiais para uso de drogas injetáveis, contato direto com cortes de uma pessoa infectada e transfusões de sangue (mais comuns nos anos 80 e 90). Além disso, a hepatite B também é transmitida de mãe para filho durante a gestação e o parto.
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