Vida e Saúde

Em procedimento inédito, médico no Chile opera à distância paciente com câncer de próstata em Goiás

Operação foi realizada com robô comandado remotamente e exigiu estrutura de conexão de alta precisão

Agência O Globo - 27/08/2026
Em procedimento inédito, médico no Chile opera à distância paciente com câncer de próstata em Goiás
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

Um paciente no Hospital do Rim, em Goiânia, no Brasil. Um médico em Santiago, no Chile. Cerca de 3 mil quilômetros separavam os dois nesta terça-feira (25), quando o urologista oncológico Dr. Marcelo Andres Orvieto Sagredo comandou remotamente uma prostatectomia radical robótica.

O procedimento marca uma inédita conexão entre Goiás e Chile, além de ser a primeira prostatectomia realizada por telecirurgia no estado e a primeira telecirurgia do Hospital do Rim.

A operação foi realizada por meio do sistema Toumai, um robô cirúrgico desenvolvido pela MicroPort (MedBot) e distribuído no Brasil pela Hospcom. Ele permite ao médico controlar remotamente os instrumentos utilizados na cirurgia. Assim, enquanto o urologista estava no Chile liderando o procedimento, o paciente permaneceu em Goiânia, acompanhado por uma equipe médica no hospital.

Para viabilizar a operação entre os países, foram utilizadas duas conexões independentes de fibra óptica, uma rede 5G de redundância e uma VPN com IP exclusivo. Segundo os responsáveis pelo procedimento, o intervalo entre o comando do cirurgião remoto e a resposta do equipamento foi mantido abaixo de 200 milissegundos durante a cirurgia, garantindo respostas praticamente instantâneas.

De acordo com Eder Mattos, gerente nacional de Educação em Cirurgia Robótica da Hospcom, a telecirurgia representa uma das maiores evoluções da cirurgia minimamente invasiva, e os benefícios vão muito além da tecnologia.

— A telecirurgia permite democratizar o acesso à medicina de alta complexidade, conectando especialistas a pacientes localizados em regiões remotas ou com escassez de profissionais altamente especializados — afirma.

Para Mattos, a experiência realizada entre Chile e Goiás também abre a possibilidade de colaboração entre especialistas de diferentes países, permitindo que o paciente seja atendido na sua própria cidade.

*aluna do curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Daniel Biasetto.