Vida e Saúde

Filhos de centenários tendem a viver mais e ter menos doenças do coração, aponta novo estudo

Pesquisa é a maior já realizada com descendentes de centenários, segundo especialistas do Albert Einstein College of Medicine.

Agência O Globo - 27/08/2026
Filhos de centenários tendem a viver mais e ter menos doenças do coração, aponta novo estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

Um estudo realizado por pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine e publicado na revista JAMA Network Open revelou que se um dos seus pais viveu até os 100 anos, é provável que você também tenha uma vida longa.

A pesquisa, a maior já conduzida com descendentes de centenários, reforça a evidência de que a longevidade excepcional e o envelhecimento saudável são hereditários e sugere que fatores biológicos herdados podem ajudar a explicar essas vantagens, além do estilo de vida.

“Os centenários — pessoas que vivem até os 100 anos ou mais — oferecem informações cruciais sobre o que significa envelhecer bem. Queríamos saber se eles transmitem sua boa saúde e longevidade para seus filhos — e, se sim, se essas vantagens podem ser explicadas por hábitos saudáveis ou se algo mais fundamental, como a genética, está em ação”, afirmou Sofiya Milman, professora de medicina e genética na Einstein, vice-presidente de pesquisa do departamento de medicina e autora sênior do estudo.

A pesquisa analisou dados de 2.319 filhos de centenários que participaram de três estudos de longo prazo nos Estados Unidos e Reino Unido. Os participantes foram comparados a 2.703 pessoas que perderam os pais quando os genitores tinham, no máximo, 85 anos.

Os resultados mostraram que esses herdeiros têm 33% menos chance de ter doenças cardíacas e um risco 32% menor de hipertensão. Em qualquer momento da vida, eles têm 42% menos chance de morrer de causas naturais.

Além disso, esses desfechos tenderam a ocorrer mais tarde na vida dos descendentes de centenários: em média, a morte ocorreu cerca de três anos mais tarde e a hipertensão cerca de cinco anos mais tarde. Ter um dos pais centenários não conferiu proteção clara em relação a acidente vascular cerebral e câncer.

Os benefícios da longevidade persistiram mesmo considerando fatores de estilo de vida, como tabagismo, uso de álcool, exercício, dieta, status socioeconômico e educação.

“Hábitos saudáveis continuam sendo importantes para todos. No entanto, algumas pessoas provenientes de famílias com longevidade excepcional parecem desfrutar de vantagens biológicas que as ajudam a manter a saúde, apesar dos fatores ambientais e comportamentais que afetam a todos nós”, explicou Eric Reed, principal autor do estudo, em comunicado à imprensa.

Os cientistas ainda não conseguem afirmar com certeza o porquê disso, mas dizem que o estudo mostra fortes evidências de que as famílias de centenários têm vantagem no envelhecimento saudável.

“Este estudo não foi concebido para identificar as características hereditárias específicas que beneficiam os filhos de centenários. No entanto, estudar famílias com longevidade excepcional pode fornecer uma perspectiva única sobre a biologia do envelhecimento saudável. Nossas descobertas oferecem uma forte justificativa para investigar centenários e suas famílias a fim de descobrir os fatores biológicos que promovem a longevidade e protegem esses indivíduos de doenças relacionadas à idade”, explicou Milman.

Os cientistas agora esperam que a descoberta desses fatores possa levar à criação de tratamentos que imitem os efeitos dos mecanismos naturais de longevidade, ajudando potencialmente pessoas que não herdaram uma longevidade excepcional a viver vidas mais longas e saudáveis.