Vida e Saúde

Menos açúcar da gestação aos 2 anos de idade pode reduzir risco de demência, aponta estudo

Pesquisa mostra que pessoas que passaram por racionamento de açúcar tiveram menos chance de desenvolver doença

Agência O Globo - 25/08/2026
Menos açúcar da gestação aos 2 anos de idade pode reduzir risco de demência, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

Que açúcar na infância faz mal, todo mundo sabe — ainda mais quem não quer ter uma criança hiperativa em casa! Só que uma nova pesquisa conjunta das universidades de Hong Kong e Liverpool descobriu que os benefícios de manter as crianças longe do açúcar podem ser ainda maiores.

O estudo, publicado nesta terça-feira na revista Neurology, mostrou que consumir muito açúcar nos mil primeiros dias de vida pode estar associado a um maior risco de desenvolver demência.

Para o epidemiologista Jiazhen Zheng, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, em Guangzhou, China, essa época é a mais crítica para o desenvolvimento do cérebro.

Os pesquisadores, para descobrir a associação, analisaram registros de saúde de quase 65.000 pessoas no Reino Unido que estavam no útero ou na primeira infância entre os anos de julho de 1942 e junho de 1954, quando o governo britânico estipulou um máximo de açúcar diário que poderia ser comprado por cada pessoa.

O limite, na época, era de 41 gramas por pessoa, o equivalente a uma latinha de refrigerante de 350ml.

Entre as crianças que passaram os dois primeiros anos de vida durante o racionamento de açúcar, o risco de demência chegou a ser 23% menor para demência e 28% para Alzheimer. O mesmo aconteceu para aqueles que passaram pelo menos um ano, desenvolvendo demência, em média, três meses depois do que os que não consumiram açúcar livremente.

Para Zheng, no entanto, outros fatores podem ter contribuído para o retardamento no desenvolvimento dessas doenças, por isso não é possível comprovar uma situação de 'causa e efeito', apenas uma associação.