Vida e Saúde

Dormir demais ou de menos acelera envelhecimento, aponta estudo

Pesquisa com 500 mil pessoas encontra sono ideal entre 6 e 7 horas para retardar envelhecimento

Agência O Globo - 24/08/2026
Dormir demais ou de menos acelera envelhecimento, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

Dormir menos de seis horas ou mais de oito horas por noite está associado a sinais de maior envelhecimento biológico e a um maior risco de doenças e morte, segundo um estudo publicado na revista Nature com dados de cerca de 500 mil pessoas do Reino Unido.

A pesquisa americana encontrou uma relação em forma de "U" entre duração do sono e indicadores de envelhecimento em órgãos como cérebro, pulmões, fígado, pele e pâncreas.

“Estudos anteriores demonstraram que o sono está fortemente ligado ao envelhecimento e à carga patológica do cérebro”, afirma Junhao Wen, líder do estudo. “Nosso estudo vai além e mostra que dormir pouco ou em excesso está associado ao envelhecimento acelerado em praticamente todos os órgãos.”

Para ele, isso corrobora a ideia de que o sono é importante para manter a saúde dos órgãos dentro de uma rede coordenada entre cérebro e corpo, incluindo o equilíbrio metabólico e um sistema imunológico saudável.

O poder dos relógios biológicos

Cada vez mais pesquisadores utilizam marcadores associados aos chamados "relógios biológicos" para digitalizar quantos anos uma pessoa envelhece mais rápido ou mais devagar do que sua idade cronológica, usando aprendizado de máquina com base em dados biológicos (por exemplo, proteínas de um exame de sangue minimamente invasivo).

O que Wen e sua equipe da Universidade de Columbia fizeram, então, foi desenvolver um relógio biológico focado em cada órgão, com o objetivo de ter informações mais detalhadas e potencialmente mais personalizadas sobre a saúde de uma pessoa.

Dormir pouco faz mal; mas dormir demais, também

Com o poder desses relógios biológicos individualizados — 23, no total — os pesquisadores analisaram o banco de dados UK Biobank, partindo de uma simples pergunta: “Quantas horas de sono você costuma ter em cada período de 24 horas, incluindo cochilos?”

A análise principal ficou concentrada, especificamente, em pessoas que relataram entre quatro e dez horas de sono diárias.

O que eles descobriram foi uma relação em forma de "U": pessoas que relataram dormir pouco (menos de 6 horas) e dormir muito (mais de 8 horas) tenderam a apresentar um envelhecimento biológico mais rápido.

Os níveis mais baixos ficaram com as pessoas que dormem entre seis a sete horas por noite.

Pouco sono: depressão e diabetes

Entre os que dormem menos, os pesquisadores conseguiram mostrar uma associação com uma série de doenças, tais como episódios depressivos, transtornos de ansiedade, obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardíaca isquêmica e arritmias cardíacas.

Já para quem prefere dormir um pouco mais do que devia, os cientistas identificaram uma relação entre mais horas na cama e doença pulmonar obstrutiva crônica, asma e diversos distúrbios digestivos, incluindo gastrite e doença do refluxo gastroesofágico.

“Isso tem uma forte implicação para o futuro do gerenciamento do sono e para futuras terapias”, diz Wen. “Nosso estudo sugere que pode haver diferentes vias biológicas entre pessoas que dormem muito e pessoas que dormem pouco que levam ao mesmo resultado, a depressão na terceira idade, e não devemos tratá-las da mesma maneira.”