Vida e Saúde

Sociedade médica atualiza tratamento para diabetes tipo 2; veja o que mudou

Uma das mudanças principais é que pacientes com diabetes tipo 2 vão tratar a obesidade conjuntamente

Agência O Globo - 20/08/2026
Sociedade médica atualiza tratamento para diabetes tipo 2; veja o que mudou
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou as diretrizes de tratamento clínico de diabetes no Brasil. A mudança principal nas decisões é que, agora, pacientes com diabetes tipo 2, o mais comum entre os diagnosticados, terão de tratar a obesidade conjuntamente. Isso evita o agravamento do diabetes em quem já tem a doença e previne o surgimento em pessoas com condições favoráveis, como os pré-diabéticos. Até então, o tratamento da obesidade era opcional e os médicos não eram obrigados a focar nessa questão durante o tratamento de diabetes.

— Nós saímos do foco de apenas controlar a glicose para também olhar o controle do peso e o risco cardiorenal. Os hábitos de estilo de vida saudável continuam firmes, mas também vamos indicar medicamentos que possam ajudar o paciente a tratar a obesidade e o diabetes, além de prevenir complicações cardiorrenais como o infarto agudo do miocárdio, a insuficiência cardíaca e a doença renal do diabetes — explicou Marcello Bertoluci, coordenador de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Entre os medicamentos que podem ser utilizados estão os agonistas do GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

O diabetes é uma condição crônica em que o indivíduo não produz ou não absorve adequadamente o hormônio insulina, responsável por retirar o açúcar (glicose) do sangue. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta 14% da população adulta global, cerca de 828 milhões de pessoas. No Brasil, o percentual de 12,9% equivale a cerca de 19,9 milhões de indivíduos, com base nos números do Censo Demográfico de 2022, do IBGE.

Os tipos mais comuns de diabetes são os tipos 1 e 2. No primeiro, o indivíduo tem uma doença autoimune que leva o seu próprio corpo a atacar as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. Por isso, o paciente fica dependente de aplicações do hormônio. Já o tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos, é causado por hábitos de vida. Nesse caso, fatores como excesso de peso e má alimentação sobrecarregam as células produtoras de insulina, o que afeta a produção ou absorção do hormônio.

A pesquisa Vigitel, divulgada pelo Ministério da Saúde no início deste ano, mostra que 12,9% dos adultos brasileiros têm um diagnóstico de diabetes. O número, referente a 2024, revela um aumento de 134,5% em relação à primeira edição do levantamento, realizada quase 20 anos antes, em 2006. Na época, a prevalência da doença era de 5,5%.

Gestantes

Outra mudança nas diretrizes apresentadas pela sociedade é a recomendação de uso de anticoncepcional para mulheres com a hemoglobina glicada acima de 9. Segundo Lenita Zajdenverg, coordenadora do Departamento de Diabetes Gestacional da SBD, um em cada seis nascidos vivos são filhos de mães com hiperglicemia durante a gravidez, o que eleva o risco de malformações fetais.

— É claro que a decisão de ter um filho é da mulher, mas aquelas que tiverem uma hemoglobina glicada acima de nove e que estão na possibilidade de engravidar devem ser aconselhadas a não engravidar devido ao aumento significativo do risco de malformações e outras complicações gestacionais — afirmou Zajdenverg.

Nestes casos, é preferível postergar a gestação até que o nível esteja abaixo de 6. Outra mudança se refere a mulheres com diabetes tipo 1 que ainda não estão grávidas e que estão com dificuldades de manter o controle glicêmico, sendo indicada a utilização de sistemas automatizados de infusão de insulina.

— Temos evidências de que o uso de sistemas automatizados pré-gestacionais melhora o desfecho da gestação por auxiliar no controle glicêmico — afirmou a médica.

Zajdenverg também informou que as mulheres com diabetes tipo 2 que utilizam medicamentos agonistas do GLP-1 devem trocar de medicação antes da gestação para outras mais seguras.

— Existem estudos observacionais que mostram que o uso do agonista no primeiro trimestre da gravidez não aumentou o risco de malformações, entretanto são medicamentos que ainda não estão autorizados para uso na gestação e devem ser substituídos por medicamentos seguros que, neste caso, é a insulina — disse.