Vida e Saúde

Estudo sobre tempo de tela na infância tem resultado positivo inesperado

Pesquisa finlandesa aponta que maior tempo de tela está associado a melhor processamento cognitivo na adolescência

Agência O Globo - 17/08/2026
Estudo sobre tempo de tela na infância tem resultado positivo inesperado
Estudo sobre tempo de tela na infância tem resultado positivo inesperado - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O tempo excessivo da tela na infância é amplamente considerado prejudicial, mas até que ponto isso é verdade? Uma nova pesquisa revelou que o aumento do tempo de tela durante a infância e a adolescência está relacionado a um desempenho mais eficaz em testes de memória e cognição aos 16 anos.

De acordo com um estudo finlandês, que acompanhou crianças ao longo de oito anos, essa descoberta desafia algumas expectativas sobre o impacto das telas; No entanto, isso não implica que o uso de celulares, videogames ou computadores contribua para o aumento da inteligência.

"Os resultados sugerem que o tempo dedicado às telas pode auxiliar no processamento cognitivo de crianças e adolescentes. Presumivelmente, o elemento crucial é a natureza das atividades realizadas durante esse tempo", afirma Petri Jalanko , da Universidade de Jyväskylä.

“Educadores e pais devem incentivar as crianças a utilizarem dispositivos e telas de maneiras que promovam o pensamento ativo, a resolução de problemas, a criatividade e o aprendizado”, conclui.

Como o estudo foi realizado

A pesquisa faz parte do estudo finlandês PANIC (Atividade física e nutrição em crianças) realizado em Kuopio, na Finlândia.

Iniciado com a avaliação de 512 crianças entre 6 e 9 anos, o estudo foi expandido ao longo de oito anos, chegando a 260 adolescentes para a análise principal.

Com uma média de 15,8 anos, a maioria dos participantes era do sexo masculino, totalizando 136, contra 124 do sexo feminino.

A pesquisa convidada feita diretamente às crianças (e, em alguns benefícios, aos adolescentes) e seus pais sobre o tempo dedicado a diversas atividades, desde exercícios físicos não supervisionados até o tempo gasto em frente aos celulares.

Aos 8 e 10 anos, as respostas eram coletadas dos pais. Já aos 16 anos, os adolescentes responderam por conta própria.

Nesta idade, os jovens realizaram uma bateria de testes chamada CogState, que mede a cognição, avaliando fatores como velocidade de ocorrência, atenção, memória de trabalho, capacidade de aprendizagem associativa e desempenho cognitivo geral.

Mais tempo de tela estudado em melhor desempenho cognitivo

No relatório final, os cientistas descobriram que o tempo de tela acumulada na infância e adolescência foi adicionado a respostas mais rápidas em tarefas de memória de trabalho, desempenho mais preciso em uma das tarefas e um melhor desempenho cognitivo geral.

O tipo de atividade realizada durante o tempo da tela foi mostrado relevante. Atividades que estimulam a criatividade e a resolução de problemas, entre outras formas de engajamento cerebral, são fatores considerados que ajudam a explicar essa associação.

“Não devemos encarar o tempo em frente às telas apenas como algo prejudicial, mas sim procurar um equilíbrio entre a atividade física e o tempo dedicado às telas, promovendo o pensamento ativo”, resume Jalanko.

No entanto, Jalanko salienta a necessidade de mais investigações: “Precisamos realizar mais estudos de intervenção para descobrir relações causais e diferenças entre os sexos a esse respeito”.