Vida e Saúde
Gratidão: megaestudo analisa impacto da prática em 34 países
Achados foram publicados na revista científica PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos
Escrever uma lista de pontos positivos sobre a própria vida ou enviar uma mensagem afetuosa, revelando seu apreço por outra pessoa, são ações práticas que podem mudar a maneira como encaramos a vida. Um novo estudo, que contou com 34 países, incluindo o Brasil, analisou diversas intervenções como essas na vida de diferentes pessoas ao redor do mundo.
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Caminhar é saudável, mas nem sempre é suficiente:
Ao todo, 598 brasileiros participaram do questionário com respostas. Junto ao restante dos participantes, eles receberam seis opções de atitudes visando estimular o sentimento de gratidão:
1. Escrever e enviar uma mensagem para alguém a quem se é grato;
2. Fazer uma lista de cinco coisas pelas quais se é grato, escrever uma carta para alguém a quem se é grato, mas não enviar;
3. Fazer a reflexão de Naikan (escrever sobre três coisas ocorridas na semana anterior, refletindo sobre o que você recebeu, o que você deu e o que mais você poderia fazer para ajudar);
4. Pensar em cinco coisas que ocorreram no dia anterior que causam gratidão para depois imaginar a vida sem essas coisas;
5. Escrever uma carta a uma força superior espiritual com teor de gratidão pela vida.
De acordo com a pesquisa, a ação que promoveu os resultados mais significativos foi a de escrever e enviar uma mensagem para alguém a quem se é grato. Em contrapartida, a com menor potencial foi a lista de cinco coisas pelas quais se é grato.
“Um dos principais resultados a que chegamos é que, no geral, todas as intervenções propostas funcionaram. E a questão da conexão social é central”, comenta o psicólogo Paulo Sérgio Boggio, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurociência Social e Afetiva (INCT-Sani), que participou do estudo, em entrevista à Agência Fapesp.
Outro dado apontado pelos especialistas é a diferença cultural no impacto da sensação de ser grato no florescimento humano, isto é, reciprocidade social e maior satisfação com a vida. Foi apontado que, enquanto o México registrou uma grande influência do estímulo da gratidão, o Brasil se apresentou como "meio" da escala e a Noruega teve o efeito considerado nulo. Mas, quando analisado o aspecto de se sentir positivo, a influência da gratidão se mostrou universal.
“A gratidão é uma emoção com componente social muito forte. Sentir-se grato aumenta a probabilidade de você ajudar outras pessoas – e não necessariamente a pessoa que te ajudou. Isso gera uma espiral de ajuda entre as pessoas, não obrigatoriamente porque há uma expectativa de ganho direto”, afirma Boggio.
Para ele, foi fundamental que o estudo estendesse seus braços para além dos Estados Unidos.
“Mais ou menos 50% dos estudos de gratidão têm origem norte-americana. A ideia foi fugir um pouco disso e aplicar o teste em países com uma grande variação cultural”, esclarece.
O pesquisador trabalhou com sua antiga orientanda Beatriz Bezerra de Souza, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no mestrado. Juntos, eles foram coordenados por Nicholas Coles, da Universidade da Flórida. Os achados foram publicados na revista científica PNAS, da Academia de Ciências dos Estados Unidos.
Após a publicação, eles pretendem continuar a pesquisa com perguntas voltadas às diferenças observadas nos contextos culturais.
“Como podemos induzir gratidão na Noruega?”, questiona Boggio.
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