Vida e Saúde
Água Mamba Water suspensa pela Anvisa: o que é a bactéria Pseudomonas aeruginosa?
Lotes da bebida tiveram a comercialização e o uso suspensos pela agência sanitária após testes identificarem a presença do microrganismo.
Nesta quinta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda, distribuição e uso de dois lotes da água mineral sem gás em lata Mambo Water após testes encontrarem a bactéria Pseudomonas aeruginosa, o mesmo microrganismo identificado anteriormente em amostras da água da marca Crystal e dos produtos Ypê.
A agência sanitária foi notificada pela própria fabricante, a HNK BR Indústria de Bebidas, sobre o recolhimento voluntário dos produtos após a identificação da bactéria. Os lotes afetados são os 13 e 14, da lata de 350 ml, fabricados em 03/04/2026 e 04/04/2026, com prazos de validade de 03/04/2027 e 04/04/2027.
Na resolução em que determina a suspensão, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, a Anvisa diz que a medida foi "em razão da detecção de Pseudomonas aeruginosa em análises de controle de qualidade de rotina".
O que é a bactéria Pseudomonas aeruginosa?
A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria de alta relevância para saúde pública por ser resistente a medicamentos. Segundo a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (GARDP, na sigla em inglês), ela está associada a 559 mil mortes por ano, o que a coloca entre os patógenos bacterianos mais letais no mundo.
— Ela é uma bactéria ambiental, ou seja, encontrada normalmente no ambiente, mas tem também capacidade de infectar humanos, principalmente os imunossuprimidos, com quadros graves, em ambiente hospitalar. Por isso é muito encontrada em infecções hospitalares — explica o infectologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, Alberto Chebabo, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Estudos estimam que até 23% das contaminações em unidades de terapia intensiva (UTIs) são causadas pela bactéria. Contudo, embora grave, as infecções entre pessoas saudáveis são raras. O risco aumenta para indivíduos imunossuprimidos, como aqueles que vivem com HIV, câncer, doenças autoimunes ou que fazem tratamentos levando à imunossupressão. Nesses casos, a bactéria pode contaminar e gerar uma doença grave, como uma infecção sistêmica no organismo.
Como é a transmissão dessa bactéria? E os sintomas?
A transmissão ocorre pelo contato com superfícies contaminadas, como solo, água e itens que possam ter sido colonizados. A exposição à bactéria não é incomum, mas é raro que ela consiga infectar pessoas saudáveis.
— Ela é conhecida como um microrganismo oportunista, ou seja, não costuma causar doença em todas as pessoas expostas, mas pode se tornar um problema quando encontra uma porta de entrada — diz o patologista clínico Helio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico.
Os sintomas dependem do local do contato e, geralmente, surgem entre 24 e 72 horas após a contaminação, embora não exista um intervalo único para todos os casos, explica Giulia Sarabando, médica clínica da UPA Vila Santa Catarina, unidade gerida pelo Einstein Hospital Israelita:
— Quando a transmissão é pelo contato na pele, pode causar vermelhidão local, coceira, presença de pus ao redor dos pelos ou dor local. Nos olhos, também pode causar vermelhidão intensa, dor e secreção amarelada. De forma geral, pode evoluir para uma infecção mais grave, causando febre e mal-estar. Se notar esses sinais, procure assistência médica e informe que teve contato com um produto que sofreu recall por risco de contaminação.
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