Vida e Saúde

Cheiro de chocolate amargo pode facilitar treino de pernas, revela estudo

Estudo publicado na revista Frontiers in Physiology analisou 23 homens saudáveis e moderadamente treinados, com idades entre 20 e 25 anos

Agência O Globo - 09/07/2026
Cheiro de chocolate amargo pode facilitar treino de pernas, revela estudo
Cheiro de chocolate amargo pode facilitar treino de pernas, revela estudo - Foto: Reprodução

Um estudo publicado na revista Frontiers in Physiology revelou que cheirar chocolate amargo com alto teor de cacau pode facilitar o treino de força, ou ao menos torná-lo mais agradável, além de reduzir a sensação de fome, o desejo e a habilidade de comer.

Mohamed Nashrudin bin Naharudin, professor assistente da Faculdade de Ciências do Esporte e do Exercício da Universidade da Malásia e autor sênior do estudo, afirmou: "Expor homens moderadamente treinados a aromas de chocolate imediatamente antes e entre as séries de exercícios de resistência aumentaram significativamente o volume total de treinamento sem aumentar a percepção de esforço".

O estudo estudou 23 homens saudáveis ​​e moderadamente treinados, com idades entre 20 e 25 anos, que foram divididos em três grupos: um recebeu uma amostra de aroma de chocolate amargo líquido com 90% de cacau, outro recebeu chocolate ao leite líquido com 60% de líquido e o último, como controle, recebeu uma amostra de água.

Naharudin comentou: "Sabemos que o olfato está fortemente ligado às redes do apetite e das emoções, mas, surpreendentemente, nenhum estudo analisou sistematicamente a interação tripla entre olfato, apetite e capacidade real de exercício de resistência".

Os participantes ficaram em jejum por 10 horas antes do estudo. Durante o experimento, realizamos o exercício de extensão de pernas, que envolve sentar-se e estender as pernas para levantar um peso. O desempenho na extensão das pernas foi avaliado antes e durante o treinamento.

O pesquisador destacou: "Observar um aumento substancial nas repetições sem que os atletas sintam que resultados se esforçam mais é um psicobiológico fascinante".

As percepções de fome, saciedade, desejo de comer e interesses de comer em um futuro próximo foram relatadas antes do treino de pernas. Durante as séries, apenas a fome e o desejo de comer foram medidos após 30 segundos de exposição a uma amostra de aroma.

Os resultados demonstraram que ambos os tipos de chocolate tiveram efeitos claros, mas distintos, nas medidas relacionadas ao apetite. Em comparação com as amostras de controle (água e chocolate ao leite), o aroma do chocolate amargo fez com que os participantes se relacionassem consistentemente com menos fome, menor desejo e intenção de comer, além de maior sensação de saciedade antes do exercício.

A exposição ao aroma do chocolate amargo é predominantemente o apetite, aumentando a sensação de saciedade e melhorando o desempenho. Naharudin explicou: "Inalar o aroma de chocolate amargo com 90% de cacau adicionou cerca de 18 repetições às extensões de perna dos participantes, enquanto o aroma de chocolate ao leite com 60% de cacau adicionou cerca de nove repetições em comparação com o grupo de controle que recebeu água".

Aqueles que cheiraram uma amostra de chocolate ao leite (60% de cacau) afirmaram maior agradabilidade do odor em comparação com as amostras de chocolate amargo e água, mas sem alteração na fome ou no apetite.

O pesquisador ressaltou que "o aroma do chocolate amargo serve como um sinal aprendido para um alimento rico, amargo e altamente saciante, que essencialmente engana o sistema, levando-o a um estado antecipatório de plenitude". Em contrapartida, o aroma mais doce do chocolate ao leite atua mais como um sinal de recompensa hedônica, aumentando o volume de treinamento ao criar um ambiente sensorial altamente agradável, sem alterar os sinais básicos de fome metabólica.

Os aromas da comida podem iniciar o processo digestivo ou desencadear mudanças no corpo e na mente que ocorrem na antecipação de uma refeição. Essas mudanças imitam de perto algumas das alterações psicológicas e fisiológicas normalmente provocadas pela alimentação.

Apesar dos resultados, o pesquisador alerta que o estudo possui limitações, como a ausência de medição de hormônios sanguíneos ou vias neurais. Também pode haver variações na intensidade do odor entre as amostras de chocolate, e a amostra de água, sendo inodora, podendo ter faixas oferecidas sobre o grupo de controle.

Por fim, é necessário envolver uma amostra de participantes mais diversificada para confirmar esses resultados, levantando a questão se o chocolate é o único alimento capaz de desencadear tais reações.

Naharudin concluiu: "Não acreditamos que o chocolate seja totalmente único, embora tenhamos associações de recompensa tão fortes e reconhecidas universalmente. Um indivíduo provavelmente precisa achar o odor familiar e atraente — ou pelo menos não repulsivo — para desencadear a mudança psicológica no apetite necessária para observar uma melhoria no desempenho".