Vida e Saúde
Micropênis: qual é a medida que define o problema e quantos homens sofrem da condição?
Homem que afirma ter o menor pênis do mundo realizará cirurgia para corrigir condição
O desconforto com o próprio corpo acompanhou Michael Phillips desde a infância. Para evitar constrangimentos, ele fugia dos vestiários da escola, evitava relacionamentos na vida adulta e até usar banheiros públicos se tornava motivo de ansiedade. Atualmente, o norte-americano acredita ter o menor pênis do mundo: mede cerca de 0,97 centímetros.
O homem de 38 anos receberá uma cirurgia para aumento do órgão reprodutor após ter conseguido arrecadar dinheiro com a ajuda do público. Ele contou em uma entrevista no último sábado (4) que ficou muito grato e surpreso com o apoio recebido.
O micropênis é definido, do ponto de vista médico, como um pênis que mede menos de 7,5 centímetros em ereção — bem abaixo da média de 13,3 centímetros. Embora pouco discutida, a condição não é tão rara: afeta cerca de 0,5% dos homens.
Reconhecida como condição médica desde a década de 1940, ela deveria ser avaliada ainda ao nascimento, quando o diagnóstico é feito se o pênis esticado mede menos de 1,9 centímetro. Na prática, porém, muitos casos passam despercebidos. O tabu em torno do tema faz com que homens convivam em silêncio com o problema por anos.
Segundo o urologista e andrologista Shafi Wardak, do Royal Berkshire NHS Foundation Trust, o impacto emocional pode ser profundo, afetando autoimagem, confiança e relacionamentos sexuais.
Especialistas diferenciam o micropênis do transtorno dismórfico peniano, em que o homem se angustia excessivamente com o tamanho do órgão sem que haja uma alteração médica real. Este último afeta cerca de 1% a 2% dos homens. No micropênis, o problema é orgânico, geralmente causado por níveis baixos de testosterona durante o desenvolvimento no útero e após o nascimento.
A testosterona é essencial para o crescimento peniano: seus receptores estimulam as células do órgão a se desenvolverem. Quando o hormônio é insuficiente, o crescimento não ocorre plenamente. As causas podem incluir disfunções da hipófise, síndrome de Kallmann — em que os hormônios da puberdade não são ativados — ou falhas genéticas que impedem o corpo de produzir ou responder à testosterona.
Estudos também investigam fatores ambientais. Uma revisão de 2022 apontou possíveis associações entre a exposição pré-natal a substâncias que interferem nos hormônios, como bisfenóis usados em plásticos, e o aumento de casos de micropênis, embora a hipótese ainda não seja comprovada.
Quando diagnosticado precocemente, o tratamento hormonal pode ser eficaz.
“Se identificado cedo, um micropênis muitas vezes pode ser tratado com sucesso com terapias à base de testosterona”, diz Wardak.
O problema é que muitos pais e até profissionais de saúde acreditam que o quadro se resolverá espontaneamente na puberdade. Erros de medição ao nascimento também são comuns.
Estudos mostram que injeções mensais de testosterona por três meses, sobretudo em bebês e crianças pequenas, podem aumentar o comprimento peniano em mais de 100% em alguns casos. Outra opção são injeções de gonadotrofinas, usadas quando o problema está nos sinais da hipófise, capazes de gerar aumentos de cerca de 50%. Os efeitos colaterais incluem sinais temporários de “mini-puberdade”, como odor corporal e surgimento precoce de pelos.
O grande limite é o tempo: o pênis tem basicamente duas janelas de crescimento — no útero e nos primeiros anos de vida até a puberdade. Depois disso, os receptores hormonais deixam de responder. Na idade adulta, resta apenas a cirurgia.
Há dois tipos principais de cirurgia. Em alguns homens, parte do pênis está “escondida” sob a pele e pode ser liberada para ganhar comprimento suficiente para a relação sexual. Em casos mais graves, é possível construir um novo pênis, procedimento complexo realizado em cerca de dez a 12 pacientes por ano. A cirurgia envolve retirar tecido do antebraço ou da coxa para formar o órgão, criar uma nova uretra e, em uma etapa final, implantar um dispositivo hidráulico que permite a ereção.
Os riscos, porém, são significativos: perda parcial ou total do novo pênis, problemas urinários e necessidade de reconstruções adicionais.
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