Vida e Saúde
Aumento da frequência cardíaca: como o calor extremo pode atrapalhar o desempenho dos jogadores?
Especialistas explicam que o esforço intenso no calor forte sobrecarrega os atletas
O Brasil enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo sob altas temperaturas, que já geraram alertas climáticos para a população de Nova York e Nova Jersey. A previsão meteorológica é de uma forte onda de calor, com temperaturas entre 35ºC e 41ºC e sensação térmica que chegará a 43ºC.
A preocupação das autoridades é tanta que há recomendação para evitar atividades ao ar livre e garantir a hidratação constante. Cidades como Nova York e Detroit chegaram a ativar protocolos de emergência.
O futebol reúne diversos fatores que sobrecarregam o organismo humano: esforço intenso, atividade contínua, decisões rápidas e exposição direta ao calor. Nessas condições de altas temperaturas, os jogadores tendem a correr menos, diminuem a frequência de arrancadas, percorrem distâncias menores e apresentam recuperação mais lenta, alterando o ritmo e a dinâmica do jogo.
Segundo o preparador físico, especialista em nutrição e colunista do GLOBO, Marcio Atalla, em altas temperaturas, o organismo muda completamente sua prioridade. Em vez de direcionar todos os recursos para o desempenho, ele passa a trabalhar para evitar o superaquecimento.
— A frequência cardíaca aumenta porque o coração precisa bombear mais sangue para a pele, ajudando na dissipação do calor, enquanto diminui a quantidade de sangue disponível para os músculos. Com isso, o atleta se cansa mais rapidamente e tem mais dificuldade para repetir esforços de alta intensidade — explica.
Durante uma partida disputada sob calor intenso, o fluxo sanguíneo pode chegar a sete vezes mais do que em repouso.
Atalla ressalta que, além do coração, o cérebro também atua como um mecanismo de proteção. Os níveis de atenção ficam elevados, e os desgastes cognitivo e emocional aumentam, o que pode afetar decisões táticas, tempo de reação, velocidade de raciocínio e potência muscular.
— Quando percebe que a temperatura corporal está muito alta, o corpo reduz o recrutamento muscular para evitar um superaquecimento ainda maior. Na prática, isso resulta em menos arrancadas, menor velocidade, recuperação mais lenta entre os sprints e queda na capacidade de concentração e tomada de decisão — completa Atalla.
É natural que, em condições de calor extremo, o ritmo do jogo diminua e a qualidade física e técnica seja comprometida, mesmo entre atletas altamente preparados.
O endocrinologista, médico do esporte e sócio fundador do Instituto Nutrindo Ideais, Guilherme Renk, destaca que o principal problema em um jogo sob altas temperaturas é que o calor aumenta a carga térmica dos atletas, enquanto a umidade alta bloqueia a evaporação do suor, que é o mecanismo mais importante de resfriamento durante exercícios intensos.
— Isso tende a reduzir ritmo, potência e a tolerância ao esforço e, em condições severas, também aumenta o risco de desidratação e doenças relacionadas ao calor — explica.
Desde a primeira edição da Copa do Mundo, em 1930, o aumento da temperatura média do planeta tornou os meses de junho e julho significativamente mais quentes em 14 das 16 cidades que receberão jogos neste ano.
A Fifa anunciou medidas para reduzir os riscos, como pausas obrigatórias para hidratação durante as partidas e a priorização de horários menos quentes em parte do calendário.
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