Vida e Saúde
Amamentação pode diminuir o risco de TDAH, afirma novo estudo
Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses foi relacionado a menos casos do transtorno em crianças; pesquisa avaliou 37.600 famílias
Um novo estudo indica um caminho simples para reduzir os riscos de TDAH em crianças: o aleitamento materno.
O trabalho, realizado pela Universidade de Bergen, na Noruega, mostrou uma associação entre a amamentação até os 6 meses de idade do bebê e um risco reduzido de sintomas de TDAH entre os 3 e 8 anos.
Já foi comprovado cientificamente que o leite materno contém numerosos componentes benéficos para o crescimento e o desenvolvimento cerebral, incluindo ácidos graxos de cadeia longa, aminoácidos, anticorpos e bactérias benéficas. Nos últimos anos, tem crescido o interesse científico em compreender como o leitamento materno relacionado ao desenvolvimento cerebral.
“É fato comprovado que os sintomas e transtornos psiquiátricos podem ser influenciados por fatores genéticos e ambientais”, afirma Berit Skretting Solberg, psiquiatra e pesquisadora do Departamento de Biomedicina da Universidade de Bergen e consultora sênior do Hospital Betanien, em comunicado.
Uma equipe de pesquisadores liderada por Solberg examinou a relação entre o número de meses em que um bebê era amamentado exclusivamente com o leite da mãe (até os 6 meses de idade) e o risco da criança desenvolver sintomas de TDAH.
A pesquisa utilizou dados de 37.600 famílias participantes do Estudo Norueguês de Coorte de Mães, Pais e Filhos (MoBa) e foi publicada na revista Biological Psychiatry.
As mães disseram, por meio de um questionário seis meses após o parto, a duração do aleitamento materno exclusivo, do aleitamento materno parcial e a introdução de outros líquidos ou alimentos sólidos.
“Descobrimos que quanto mais tempo uma criança foi amamentada exclusivamente (até 6 meses), menor o nível de sintomas de TDAH aos 3, 5 e 8 anos”, explica Solberg.
Todas as formas de amamentação tiveram efeito, mas o efeito aumentou com a duração e a intensidade da amamentação e foi mais forte com o leite materno exclusivo até os 6 meses.
A psiquiatra afirma que as descobertas sugerem que fatores além da genética podem influenciar o risco de TDAH: "Em nossa sociedade, a hereditariedade provavelmente é o fator de risco mais forte para o TDAH. No entanto, como o TDAH — assim como outros transtornos do neurodesenvolvimento — é influenciado por múltiplos fatores, nosso estudo sugere que a duração da amamentação também pode ajudar a proteger contra o desenvolvimento de sintomas de TDAH em crianças pequenas".
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