Vida e Saúde
Semavy: nova caneta brasileira de semaglutida avança em etapa de preço no país
Hypera Pharma protocolou pedido à CMED para definição de preço do medicamento, que ainda depende de aprovação da Anvisa
A próxima caneta nacional à base de semaglutida poderá ser produzida pela Hypera Pharma e comercializada com o nome Semavy. Na última terça-feira, a farmacêutica avançou em uma etapa regulatória relacionada à definição do preço para venda do medicamento no Brasil.
O produto, no entanto, ainda está em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), etapa indispensável para que possa ser comercializado. Até o momento, não há previsão para a definição dos valores, para a decisão da agência sanitária ou para o início das vendas no país.
No dia 23, a Hypera, por meio de sua subsidiária Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos, protocolou na Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) um pedido de análise do Documento Informativo de Preço (DIP) referente à caneta.
O DIP é um dossiê com documentos administrativos e técnicos que deve ser apresentado à CMED após o pedido de registro do novo medicamento na Anvisa e antes da decisão final da agência. A medida permite que a Câmara fixe o preço de fábrica (PF) do produto antes de seu lançamento no mercado brasileiro.
Com base no preço de fábrica, é definido posteriormente o preço máximo ao consumidor (PMC), teto que poderá ser cobrado dos pacientes nas farmácias. Todas essas etapas precisam ser concluídas antes da chegada do medicamento às drogarias.
Em nota, a Hypera confirmou ter protocolado a solicitação de análise de preço da semaglutida e destacou que a medida “integra o processo regulatório necessário para a comercialização do produto no Brasil”. A empresa, porém, não informou estimativa de lançamento nem valores previstos para o medicamento.
Caso seja aprovado, o Semavy será a segunda semaglutida nacional a receber aval da Anvisa desde o fim da patente da molécula no Brasil, em março deste ano. Em meados de junho, a farmacêutica EMS iniciou as vendas do Ozivy, voltado ao tratamento do diabetes tipo 2, com preços inferiores aos do Ozempic, da Novo Nordisk, semaglutida original indicada para diabetes.
Enquanto o Ozempic é encontrado por cerca de R$ 1 mil por mês, o Ozivy é vendido a partir de R$ 452 mensais nas doses iniciais, de 0,25 mg e 0,5 mg, e por R$ 497 na dose de 1 mg. A EMS também oferece condição especial para pacientes que aderem ao Programa Vida + Leve, da EMS Saúde: nesse caso, os três primeiros meses de tratamento saem por R$ 861, o equivalente a R$ 287 por mês.
Além do Ozivy, outras duas canetas nacionais já são comercializadas no país: Extensior e Poviztra. Esses medicamentos, no entanto, são equivalentes ao Ozempic e ao Wegovy, respectivamente, e produzidos pela Eurofarma no Brasil a partir de acordo com a dinamarquesa Novo Nordisk, desenvolvedora dos fármacos originais.
A aprovação do Ozivy — e, futuramente, do Semavy — tornou-se possível com o fim da patente da semaglutida. Medicamentos inovadores podem ser protegidos por patente no Brasil por até 20 anos, período em que a farmacêutica responsável pelo desenvolvimento tem exclusividade de comercialização. Depois desse prazo, outros fabricantes podem produzir novas versões e submetê-las à avaliação da Anvisa.
A aprovação pela Anvisa, contudo, não significa que o medicamento será imediatamente ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, é necessária uma análise de custo-benefício por um grupo técnico do Ministério da Saúde. Ao fim do processo, a pasta decide se incorpora ou não o fármaco à rede pública.
A redução de preços com a chegada de novas alternativas de semaglutida ao mercado pode ampliar essa possibilidade. Em 2025, por exemplo, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer desfavorável à incorporação do medicamento, considerando, entre outros fatores, impacto orçamentário superior a R$ 8 bilhões — quase o dobro do orçamento do Farmácia Popular naquele ano.
Enquanto isso, o Ministério da Saúde anunciou um projeto-piloto com a Novo Nordisk para avaliar o uso da semaglutida no tratamento da obesidade em alguns serviços do SUS. Entre as unidades participantes estão o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), na cidade do Rio de Janeiro.
Paralelamente, a farmacêutica dinamarquesa protocolou novo pedido de inclusão de sua semaglutida na rede pública para o tratamento da obesidade, com desconto de 59% no preço. Com o novo valor, a dose semanal de 2,4 mg, usada para perda de peso, sairia por R$ 764,64 ao mês.
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