Vida e Saúde

Uma noite sem dormir já altera conexões do cérebro, aponta estudo

Pesquisa mostra que a privação de sono provoca mudanças mensuráveis na comunicação entre neurônios e reforça o papel do descanso na reorganização cerebral

Agência O Globo - 25/06/2026
Uma noite sem dormir já altera conexões do cérebro, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Dormir pode ser ainda mais importante para o cérebro do que se imaginava. Após uma noite em claro, pesquisadores identificaram mudanças mensuráveis nas conexões entre neurônios, o que sugere que o sono tem papel fundamental na reorganização da atividade cerebral.

A pesquisa, publicada na revista científica PLOS Biology, analisou 40 adultos saudáveis. Metade dos participantes passou uma noite inteira acordada, enquanto o restante manteve sua rotina normal de sono. Ao avaliar marcadores associados à comunicação entre neurônios, os cientistas observaram diferenças entre os dois grupos.

Os resultados indicaram que os participantes que permaneceram acordados por cerca de 28 horas apresentaram níveis mais elevados desse marcador em diferentes regiões do cérebro, entre elas o hipocampo, ligado à formação de memórias, e o tálamo, que atua como importante centro de transmissão de informações cerebrais.

Segundo os pesquisadores, as descobertas reforçam uma das principais teorias sobre a função do sono: a hipótese da homeostase sináptica. Essa teoria propõe que as conexões entre os neurônios se fortalecem ao longo do dia, à medida que o cérebro aprende e processa informações.

Esse processo, no entanto, exige energia e contribui para o acúmulo de proteínas e atividade neural. O sono seria responsável por reorganizar e reajustar essas conexões, restaurando o equilíbrio do sistema para o dia seguinte.

Até então, a maior parte das evidências que sustentavam essa teoria vinha de estudos realizados em animais. A nova pesquisa apresenta indícios de que mecanismos semelhantes também podem ocorrer em seres humanos.

Em uma segunda etapa do estudo, os participantes privados de sono puderam tirar um cochilo de duas horas. Os pesquisadores observaram que aqueles com níveis mais altos do marcador cerebral também registraram maior atividade de ondas lentas durante o descanso, padrão associado ao sono profundo e à necessidade acumulada de dormir.

Embora os autores ressaltem que se trata de um indicador indireto e que as mudanças observadas foram pequenas, os resultados reforçam a relação entre a necessidade de sono e o funcionamento das conexões cerebrais.

“Durante a privação de sono, o cérebro permanece acordado por mais tempo e continua processando estímulos e informações. Nosso estudo mostra que, após aproximadamente 28,5 horas de vigília, um marcador da densidade sináptica aumenta em diversas regiões cerebrais. Isso sugere que a privação de sono não provoca apenas fadiga, mas também é acompanhada por mudanças mensuráveis nas conexões neurais”, afirmam os autores.