Vida e Saúde
Caminhada nórdica reduz sintomas de depressão já nas primeiras cinco semanas
Estudo reforça a importância da atividade física como recurso simples, acessível e complementar no cuidado com a saúde mental.
Caminhar com bastões , prática conhecida como caminhada nórdica, pode ajudar a reduzir sintomas de depressão moderada a grave já nas primeiras cinco semanas de atividade. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Journal of Affective Disorders .
A modalidade surgida na Finlândia como método de treinamento de verão para esquiadores de fundo, mas se popularizou entre pessoas que não praticavam esqui devido aos benefícios para a saúde. Agora, pesquisadores buscaram avaliar se esse tipo de exercício também pode contribuir para a melhoria da saúde mental.
O estudo controlado randomizado acompanhou 64 adultos com depressão moderada a grave que não praticavam atividade física regularmente. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um de caminhada nórdica, com 48 pessoas, e outro de controle, com 16.
Durante 10 semanas, o grupo de caminhada realizou sessões supervisionadas duas vezes por semana, com uma hora de duração cada. As atividades foram conduzidas por instrutor treinado, com uso de monitores de frequência cardíaca para garantir intensidade moderada.
Para medir os efeitos da prática, os pesquisadores utilizaram o Inventário de Depressão de Beck-II, questionário amplamente empregado para avaliar sintomas depressivos. As considerações foram feitas antes do início do programa, na metade do período e ao fim das 10 semanas.
Os resultados indicaram efeito antidepressivo significativo. Os participantes que praticaram caminhada nórdica tiveram melhora maior do que aqueles que não se praticaram. A maior parte dos benefícios apareceu rapidamente, principalmente nas primeiras cinco semanas do programa.
Segundo os pesquisadores, pessoas com depressão grave tiveram melhora mais rápida e acentuada nesse período inicial em comparação aos participantes com depressão moderada.
Ao final do estudo, entre 35% e 53,6% dos participantes do grupo de caminhada atingiram remissão, ou seja, reduziram os sintomas abaixo dos limiares clínicos para depressão. O programa também não registrou lesões ou problemas de saúde associados à prática.
A depressão é considerada o transtorno mental grave mais comum no mundo e afeta cerca de 5,7% dos adultos globalmente. Mais do que a tristeza persistente, a condição pode comprometer o prazer nas atividades cotidianas, a memória, o sono, a digestão e a capacidade de realizar tarefas básicas. Em quadros mais graves, pode levar a pensamentos e comportamentos suicidas.
Estudos anteriores já demonstraram que atividades como caminhada rápida, corrida, ciclismo e ioga podem ajudar a reduzir sintomas depressivos, especialmente quando associadas ao acompanhamento profissional e, quando necessário, ao tratamento medicamentoso. Entre as modalidades avaliadas, os exercícios aeróbicos parecem apresentar pequenas vantagens.
A caminhada nórdica se diferencia pela utilização de bastões específicos, que ampliam o esforço físico e transformam a caminhada em um exercício mais completo. A prática pode envolver até 90% dos músculos do corpo, tornando o treino mais intenso do que uma caminhada convencional.
Para os autores, os resultados reforçam a importância da atividade física como uma estratégia simples, acessível e amplamente disponível no cuidado com a depressão. Eles defendem que os gestores públicos considerem programas comunitários de exercícios também como parte das políticas de saúde mental, e não apenas como iniciativas externas à saúde física.
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