Vida e Saúde
Saúde oficializa compra de 18 milhões de doses da vacina da Takeda contra dengue
Ministério diz ter adquirido todo o estoque disponibilizado; farmacêutica afirma ter capacidade para fornecer volume maior
O Ministério da Saúde oficializou, nesta semana, a compra de 18 milhões de doses da vacina contra a dengue produzida pela Takeda. O imunizante, aplicado em duas doses, é oferecido atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a adolescentes de 10 a 14 anos.
O volume já havia sido divulgado anteriormente, mas a formalização do acordo foi publicada no Diário Oficial da União. O contrato tem valor de R$ 1,57 bilhão e prevê entregas até 2027.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que “adquiriu todas as doses da vacina contra a dengue disponibilizadas pelo laboratório Takeda”. A farmacêutica, por sua vez, afirmou que a quantidade contratada foi definida em 2025 e que, neste momento, após esforços para ampliar a distribuição, “possui disponibilidade para fornecer um volume de doses sensivelmente superior ao contratado, visando suprir essa necessidade em saúde pública”.
Segundo a Takeda, as primeiras doses desse acordo devem chegar nos próximos 30 dias, com previsão de entrega de 4 milhões de doses. O restante deverá ser incorporado ao sistema até agosto de 2027, conforme o contrato firmado entre o governo federal e a empresa.
Até 2025, a farmacêutica enviou 15,6 milhões de doses ao Brasil. O país é considerado o principal cliente global da vacina, com estimativa de receber até 80% da produção mundial. No mercado privado, o imunizante também está disponível para pessoas de 4 a 60 anos. De acordo com o registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina protege contra os quatro sorotipos da dengue.
Vacina do Butantan
A continuidade do acordo com a Takeda ocorre em paralelo à investigação envolvendo a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.
A suspensão temporária, segundo explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, teve como objetivo compreender se a aplicação do imunizante poderia estar relacionada a determinados quadros de saúde registrados após a vacinação. Entre os casos que mais preocupam estão dois óbitos, ambos de profissionais de saúde que haviam recebido recentemente a Butantan-DV. O episódio, no entanto, segue sob investigação, e ainda não há confirmação de relação direta com o uso da vacina.
Em entrevista ao GLOBO, na semana passada, o ministro afirmou que é necessário aprofundar a análise dos casos notificados.
“Temos que nos debruçar sobre as bases de dados, aprofundar os estudos desses casos onde ocorreram relatos de efeitos adversos ou reações. E tentar esclarecer, um por um, para saber o que de fato pode ser relacionado à vacina e o que pode ser somente uma coincidência”, disse.
Até a suspensão, a vacina do Butantan havia sido aplicada em cerca de 500 mil brasileiros. Desse total, aproximadamente 80 mil participaram de uma vacinação piloto em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). A iniciativa buscava avaliar, entre outros pontos, qual percentual da população de uma região precisaria ser vacinado para que a imunidade coletiva ajudasse a conter o avanço da doença.
Entre os participantes da vacinação piloto, não houve identificação de efeito adverso grave. Os registros sob investigação ocorreram entre trabalhadores da área da saúde, outro grupo que recebeu as aplicações.
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