Vida e Saúde
Ebola na RD Congo tem taxa de mortalidade de 23% após um mês de epidemia
Africa CDC aponta 202 mortes entre 875 casos confirmados; surto já chegou à vizinha Uganda
Mais de 200 pessoas morreram vítimas de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) pouco mais de um mês após a declaração da epidemia, informou nesta quinta-feira (18) a agência de saúde da União Africana.
O Centro Africano para o Controle e a Prevenção de Doenças (África CDC) registrou 202 mortes em decorrência do vírus, entre 875 casos confirmados . O número representa uma taxa de mortalidade de 23%.
Riscos:
Na última terça-feira (16), autoridades de saúde alertaram que o quadro pode piorar significativamente. A estimativa é que o surto possa durar até um ano e infectar milhares de pessoas, caso as taxas de transmissão continuem avançando.
O surto na RD Congo é um dos principais desta epidemia. A desconfiança nas relações com as autoridades e a violência nas regiões orientais do país dificultam o trabalho das equipes de saúde e o acesso da população ao atendimento.
O pior surto de Ébola já registado ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, e matou mais de 11 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em entrevista ao The New York Times , Bruno Michon, responsável pela resposta ao Ebola no Congo pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, afirmou que o atual surto pode levar meses para ser contido e, potencialmente, até um ano.
A doença também se estendeu ao Congo para Uganda, país vizinho que confirmou 19 casos, incluindo duas mortes, conforme dados disponíveis no início desta semana.
Sem protocolos:
As dificuldades começam ainda no diagnóstico. Há limitações na capacidade de atendimento, além de desinformação sobre os cuidados necessários e sobre como e quando procurar assistência médica. A falta de dados precisos também dificulta o acompanhamento da forma como a epidemia se espalha.
Em 15 de maio, a RDC declarou um surto de Ebola, o 17º registrado no país. Dois dias depois, a Organização Mundial da Saúde ativou o alerta sanitário internacional.
Até o momento, não há vacina nem tratamento aprovado contra a rara cepa Bundibugyo, responsável por esta epidemia.
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