Vida e Saúde
Mais da metade dos pacientes retoma uso de canetas emagrecedoras em até um ano, aponta estudo
Pesquisa indica que cerca de 4 em cada 10 pessoas interrompem o tratamento com medicamentos GLP-1 no primeiro ano
Um novo estudo aponta que mais da metade das pessoas que interrompem o uso de canetas emagrecedoras retoma o tratamento em até um ano. Os dados foram apresentados durante o encontro anual da Sociedade de Endocrinologia, realizado em Chicago, nos Estados Unidos.
A pesquisa analisou informações de adultos entre 18 e 64 anos, com obesidade e diagnóstico de diabetes tipo 2, que iniciaram tratamento com liraglutida, substância ativa do Saxenda; semaglutida, substância ativa do Ozempic; ou tirzepatida, substância ativa do Mounjaro. Os medicamentos pertencem à classe dos agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon, conhecidos como GLP-1.
“Nosso estudo fez duas perguntas que não foram bem respondidas até agora: quantas pessoas com diabetes tipo 2 que tomam medicamentos GLP-1 realmente param de usá-los? E quantas voltam a usá-los?”, afirmou Sainikhil Sontha, mestre em ciências e pesquisador associado da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston.
Segundo os pesquisadores, cerca de 4 em cada 10 pacientes interromperam o uso dos medicamentos GLP-1 no primeiro ano. Ao fim de dois anos, a taxa chegou a quase 6 em cada 10. Entre aqueles que suspenderam o tratamento, 41,5% retomaram o uso em até um ano, enquanto 58% voltaram a utilizar os medicamentos em até dois anos.
O estudo também observou que os pacientes tinham 10% menos probabilidade de interromper o tratamento quando a primeira prescrição de um medicamento GLP-1 havia sido feita por um endocrinologista.
Por outro lado, pacientes negros e aqueles que relataram náuseas ou outros efeitos colaterais gastrointestinais apresentaram maior probabilidade de suspender o uso dos medicamentos GLP-1 dentro de um ano. Entre os pacientes com efeitos colaterais relacionados ao estômago, a taxa de interrupção chegou a 37%.
Em relação aos diferentes medicamentos, pessoas em tratamento com tirzepatida apresentaram probabilidade 41% menor de interromper o uso em comparação com pacientes que utilizavam opções mais antigas, como a liraglutida.
Já os pacientes que usavam semaglutida tiveram probabilidade 28% menor de suspender o tratamento para obesidade em comparação com aqueles que utilizavam liraglutida.
“Isso sugere que, para muitos pacientes, esses medicamentos não estão sendo abandonados permanentemente; o uso é mais intermitente do que a maioria das pessoas imaginava”, analisou Sontha.
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