Vida e Saúde

Uso de “canetas emagrecedoras” pode reduzir atividade física diária, aponta estudo

Pesquisa observou queda no número de passos e no tempo de exercícios entre adultos com obesidade após início do tratamento

Agência O Globo - 14/06/2026
Uso de “canetas emagrecedoras” pode reduzir atividade física diária, aponta estudo
canetas emagrecedoras - Foto: Depositphotos

Adultos com obesidade que perderam peso com medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, apresentaram redução significativa nos níveis de atividade física após o início do tratamento, segundo um novo estudo.

A conclusão chama atenção porque a perda de massa magra está entre as principais preocupações de médicos em relação ao uso desses medicamentos, já que pode afetar diferentes aspectos da saúde.

O estudo, liderado por pesquisadores do Hospital HSHS St. John’s, nos Estados Unidos, buscou dimensionar a redução da rotina ativa entre usuários desses tratamentos.

A pesquisa utilizou dados do programa All of Us, dos National Institutes of Health (NIH), que reúne prontuários eletrônicos de saúde e informações de atividade física registradas por dispositivos de monitoramento, como o Fitbit.

Entre 1.950 adultos com obesidade que iniciaram tratamento com medicamentos da classe GLP-1, como tirzepatida e semaglutida, os pesquisadores analisaram 753 pessoas que tinham dados suficientes nos dispositivos vestíveis para avaliação. A maioria dos participantes era do sexo feminino (78,6%), com idade média de 52,7 anos.

Os pesquisadores compararam a atividade física de cada participante antes e depois do início do tratamento, com foco principalmente no número de passos diários e nos minutos dedicados a atividades físicas moderadas a vigorosas.

Em média, após o início do tratamento, o número de passos diários caiu de 5.047 para 4.487. Já o tempo gasto por dia em atividade física moderada a vigorosa diminuiu de 28 para 22 minutos.

As maiores reduções foram observadas entre homens e pessoas que relatavam dores articulares ou musculares. Fatores como idade, insuficiência cardíaca ou histórico prévio de AVC não alteraram significativamente os resultados.

O estudo não encontrou evidências de que a perda de peso promovida por esses medicamentos tenha levado, de forma espontânea, a um aumento da atividade física.

“Embora muitas pessoas presumam que a perda de peso naturalmente leva a mais atividade física, nosso estudo sugere o contrário. Os resultados reforçam que o exercício não pode ser opcional para quem utiliza esses medicamentos. É necessário implementar intervenções específicas que incentivem a atividade física juntamente com o tratamento medicamentoso da obesidade”, afirmou Sajana Maharjan, autora principal do estudo.

As conclusões do trabalho serão apresentadas neste fim de semana no ENDO 2026, congresso anual da Sociedade de Endocrinologia, em Chicago, nos Estados Unidos. Os resultados ainda são considerados preliminares. Outros estudos já indicaram que o tratamento com as “canetas emagrecedoras” não causa perda de massa magra em níveis considerados preocupantes.