Vida e Saúde
Micoplasma no coração: entenda infecção associada à morte de princesa tailandesa
Bajrakitiyabha, filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn, sofreu um colapso em 2022 e permaneceu em coma por cerca de três anos
A princesa Bajrakitiyabha, filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn, da Tailândia, morreu aos 47 anos após permanecer cerca de três anos em coma, informou a Casa Real tailandesa. Ela estava internada desde dezembro de 2022, quando sofreu um colapso enquanto se exercitava com seus cães.
Segundo os médicos, o episódio foi provocado por uma arritmia cardíaca grave causada por uma infecção por micoplasma no coração. O palácio informou que Bajrakitiyabha morreu às 19h48, no horário local, no Hospital Chulalongkorn.
“A equipe médica prestou o cuidado mais próximo e intensivo possível, mas sua condição continuou a declinar progressivamente”, informou o palácio em comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira.
O micoplasma é uma bactéria conhecida principalmente por causar infecções respiratórias, como pneumonia. Em casos menos comuns, porém, pode provocar manifestações fora dos pulmões, atingindo sistemas como o neurológico, gastrointestinal, musculoesquelético e cardíaco.
Quando há envolvimento do coração, a infecção pode estar associada a miocardite, pericardite, bloqueios cardíacos, cardiomiopatia não isquêmica e insuficiência cardíaca.
No caso da princesa, os médicos atribuíram o colapso inicial a uma alteração grave no ritmo cardíaco. Após anos de tratamento, exames também identificaram, em abril de 2026, uma infecção estomacal que levou a inflamação intestinal, queda de pressão arterial e arritmia.
Em maio, o palácio já havia comunicado a piora do estado de saúde de Bajrakitiyabha, que recebeu medicamentos e suporte de aparelhos para auxiliar o funcionamento dos pulmões e dos rins.
Conheça a princesa Bajrakitiyabha
Nascida em 7 de dezembro de 1978, Bajrakitiyabha era a mais velha dos sete filhos do rei Vajiralongkorn. Ela era filha da primeira esposa do monarca, a princesa Soamsawali, prima do rei.
Formada em Direito, a princesa obteve dois títulos de pós-graduação pela Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Trabalhou por um breve período na missão tailandesa junto às Nações Unidas, em Nova York, antes de retornar à Tailândia para atuar no Ministério Público, em Bangcoc e em outras regiões do país.
Entre 2012 e 2014, foi embaixadora da Tailândia na Áustria, onde se aproximou do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. A partir daí, passou a defender reformas no sistema prisional, com foco especial em mulheres em situação de vulnerabilidade encarceradas. A Tailândia tem uma das maiores populações carcerárias femininas do mundo.
De volta ao país, tornou-se embaixadora do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime para o Estado de Direito no Sudeste Asiático e continuou a defender mudanças no sistema de Justiça criminal tailandês, marcado por penas severas em casos envolvendo posse de drogas em menor escala.
Em 2021, o rei a nomeou chefe de gabinete de sua guarda particular, concedendo-lhe o posto de general.
Bajrakitiyabha também era conhecida pelo interesse em atividades físicas e costumava participar de corridas de longa distância. Sua trajetória, somada à confiança demonstrada pelo pai, fez dela uma figura central nas especulações sobre a sucessão real.
O rei Vajiralongkorn, de 73 anos, ainda não nomeou um herdeiro. A tradição tailandesa indica que o sucessor deve ser homem, mas uma emenda constitucional de 1974 permite que uma mulher assuma o trono.
O monarca tem cinco filhos homens, mas quatro deles, do segundo casamento, foram deserdados em 1996 e vivem desde então com a mãe nos Estados Unidos. O quinto, o príncipe Dipangkorn, filho da terceira esposa do rei, é considerado o herdeiro presumido, embora haja questionamentos sobre sua capacidade de exercer o papel de monarca.
Para muitos monarquistas tailandeses, Bajrakitiyabha era vista como uma das figuras mais promissoras para suceder o pai, como rainha ou como regente para apoiar o príncipe Dipangkorn.
Sua morte deixa em aberto a questão sucessória na Tailândia, tema que não costuma ser debatido publicamente em razão da rigidez da lei de lesa-majestade no país.
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