Vida e Saúde

'Saindo do suco': projeto da Unifesp ajuda quem quer interromper uso de anabolizantes

Morte do influenciador Gabriel Ganley reacendeu o alerta sobre os riscos do uso de substâncias voltadas à hipertrofia muscular e à melhora estética

Agência O Globo - 12/06/2026
'Saindo do suco': projeto da Unifesp ajuda quem quer interromper uso de anabolizantes

A morte do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, aos 22 anos, chamou a atenção para os riscos do uso indevido de anabolizantes. O caso foi associado à cardiomiopatia hipertrófica, doença em que o músculo do coração se torna anormalmente espesso.

A cardiomiopatia hipertrófica é considerada uma condição cardíaca geralmente hereditária e de origem genética. Especialistas, no entanto, alertam que o quadro pode ser agravado pelo uso de esteroides anabolizantes. Nas redes sociais, Ganley admitia fazer uso dessas substâncias.

Diante do aumento do uso não médico de anabolizantes entre adolescentes, jovens adultos, praticantes recreacionais de atividade física e frequentadores de academias, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) lançou o programa “Saindo do suco com segurança”. A iniciativa oferece assistência gratuita a pessoas que desejam interromper o uso dessas substâncias. O termo “suco” é usado popularmente para se referir aos anabolizantes.

O projeto foi criado pelo Núcleo de Endocrinologia do Exercício, ligado à disciplina de Medicina Esportiva da Unifesp, e é coordenado pelo endocrinologista Clayton Macedo. A proposta é garantir atendimento gratuito e sigiloso, com orientação baseada em evidências científicas, para promover uma transição segura e auxiliar na recuperação da saúde física, hormonal, metabólica e psicológica.

A suspensão dos esteroides anabolizantes nem sempre é simples. A interrupção abrupta pode provocar repercussões clínicas e emocionais importantes. Muitos usuários desenvolvem dependência psicológica relacionada à imagem corporal, medo de perda de massa muscular, receio de ganho de gordura, alterações de humor, sintomas depressivos e dificuldades na retomada da produção hormonal natural.

A equipe do programa deve contar com endocrinologistas, médicos do esporte, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos voluntários de diversas regiões do país. Em menos de uma semana, o projeto já havia recebido 40 solicitações de atendimento e reunido 40 médicos voluntários.

Os interessados podem solicitar atendimento pelo e-mail [email protected].