Vida e Saúde

Estudo aponta que leitura em livros de papel exige menos esforço mental que em telas

Pesquisa da Universidade de Tóquio monitorou a atividade cerebral de estudantes durante a leitura de histórias complexas.

Agência O Globo - 10/06/2026
Estudo aponta que leitura em livros de papel exige menos esforço mental que em telas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Ler livros em papel parece cansar menos o cérebro do que a leitura em e-readers, especialmente quando o texto apresenta histórias mais complexas. A conclusão é de um estudo japonês que utilizou ressonância magnética para monitorar a atividade cerebral de 25 estudantes enquanto eles liam narrativas contadas a partir de dois pontos de vista diferentes.

Segundo a pesquisa, quem leu a primeira metade da história em papel precisou fazer menos esforço para integrar as informações na segunda parte do texto. Esse grupo também respondeu mais rapidamente às perguntas difíceis.

Publicada recentemente na revista científica PLOS One , uma pesquisa realizada com estudantes da Universidade de Tóquio entre dezembro de 2023 e setembro de 2024. Os participantes foram divididos em dois grupos: um leu a primeira metade da narrativa em livro impresso; o outro, em e-reader. Depois, todos leram a segunda metade sob as mesmas condições, enquanto a atividade cerebral era acompanhada pelos pesquisadores.

Em seguida, os estudantes responderam a um teste de múltipla escolha, com quatro alternativas por questão. A avaliação foi usada para medir a compreensão da história, considerando taxas de acerto, tempo de resposta e padrões de atividade cerebral.

Os estudantes que leram a primeira metade em e-readers não cometeram mais erros, mas ocorreram, em média, 1,28 segundo a mais para responder às perguntas em comparação ao desempenho esperado.

Os dados de atividade cerebral também indicaram diferenças entre os grupos. Entre os leitores de e-readers, houve ativação não apenas do lado esquerdo do cérebro, associada à linguagem, mas também do lado direito. Para os pesquisadores, isso sugere que a leitura em dispositivos digitais pode impor uma carga adicional ao cérebro quando comparada à leitura em livros impressos.

Para Kuniyoshi Sakai, professor de neurociência da linguagem, a leitura em livros de papel favorece um ritmo mais natural. "Com livros de papel, você pode ler no seu próprio ritmo, absorvendo o conteúdo à medida que vira as páginas. Aparentemente, isso ajuda o cérebro a usar menos energia e melhora a compreensão", afirmou ao Japan News .