Vida e Saúde
Dia da Masturbação: prática traz benefícios para corpo e mente, dizem especialistas
Data foi criada em resposta à demissão de médica que defendeu a masturbação publicamente
Embora cercada por tabus e constrangimentos há séculos, a masturbação vem sendo cada vez mais reconhecida por especialistas como uma prática ligada ao autoconhecimento, ao prazer e à saúde sexual. Comemorado internacionalmente nesta quinta-feira (28), o chamado “Mês da Masturbação” busca ampliar o debate sobre educação sexual e combater estigmas que ainda persistem em torno do tema.
Hiperfamiliaridade facial:
Caso Ganley:
A campanha surgiu nos Estados Unidos, em 1995, após a repercussão do caso da médica americana Joycelyn Elders. Um ano antes, ela foi demitida da carga de cirurgia-geral do governo americano depois de defender, em um debate sobre saúde pública, que a masturbação fosse tratada nas escolas como parte da educação sexual, contribuindo para a prevenção da gravidez precoce e das infecções sexualmente transmissíveis.
A partir do episódio, uma loja de brinquedos sexuais na Califórnia criou os dados como uma resposta à demissão de Elders e também como uma forma de enfrentar o silenciamento e o preconceito em torno da prática.
Apesar do avanço nas investigações sobre sexualidade, falar abertamente sobre masturbação ainda é um desafio para muitas pessoas. Segundo a sexóloga Adriana Ribeiro, vergonha, culpa e desinformação continuam sendo barreiras importantes para tratar o assunto de forma natural.
— Falar sobre masturbação continua sendo um desafio devido a múltiplas barreiras psicológicas, sociais e culturais profundamente enraizadas, incluindo vergonha, estigmas e diversos tabus religiosos — afirma.
O especialista explica que a falta de educação sexual adequada faz com que muitas pessoas aprendam sobre sexualidade por meio de informações incompletas ou equivocadas, o que contribui para a manutenção de mitos e preconceitos.
— A masturbação ainda é frequentemente cercada por culpa e vergonha, sentimentos que não decorrem da prática em si, mas dos significados sociais e individuais atribuídos a ela. Em geral, estão relacionadas a influências culturais, religiosas e familiares que historicamente associaram ideias de pecado, imoralidade ou algo “sujo” — diz Adriana.
Do ponto de vista científico, porém, a prática é considerada parte natural do desenvolvimento sexual e pode trazer benefícios físicos e emocionais. Adriana destaca que a masturbação contribui para a redução do estresse e da ansiedade, melhora a qualidade do sono e fortalece o autoconhecimento corporal.
— A masturbação permite maior conhecimento do próprio corpo, o que pode facilitar a comunicação com as parcerias e contribuir para uma vida sexual mais garantida — explica.
Ela ressalta ainda que não existe uma frequência considerada “ideal” para a prática.
— O mais importante não é o número de vezes, mas o contexto em que essa prática ocorre e como uma pessoa se sente em relação a ela. A masturbação passa a ser considerada problemática quando há sofrimento, perda de controle ou prejuízo funcional — afirma.
Para a terapeuta sexual Mariana Kiss, além de ajudar a quebrar tabus relacionados à sexualidade, a masturbação também pode trazer diversos benefícios para a saúde física, emocional e sexual.
— Eu gosto de chamar a prática de “automapeamento amoroso” ou “automapeamento erótico”. É uma forma de conhecer o próprio corpo, entender quais estímulos geram prazer e fortalecem a relação da pessoa com a própria sexualidade — afirma.
Segundo Mariana, a prática contribui para o autoconhecimento físico e ajuda homens e mulheres a compreenderem melhor suas próprias zonas de prazer, além de proporcionar diversos benefícios.
— Os toques estimulam a musculatura pélvica, ajudando a prevenir problemas como a incontinência urinária. Nos homens, a masturbação também auxilia na saúde da próstata e na produção contínua de espermatozoides — explica.
Além disso, de acordo com um terapeuta sexual, o estímulo sexual promove a liberação de hormônios ligados ao prazer e ao bem-estar.
— Há produção de hormônios como a ocitocina, relacionada à conexão emocional, e dopamina, ligada à sensação de prazer e motivação. Quando feita com calma, a masturbação também pode proporcionar relaxamento mental e muscular, funcionando quase como uma meditação corporal — afirma.
Em meio à popularização do tema nas redes sociais, os especialistas alertam que, apesar de a internet ajudar a ampliar o debate, também é preciso cuidado com conteúdos sem embasamento científico.
— Muitos influenciadores se intitulam sexólogos ou terapeutas sexuais sem formação acadêmica adequada, o que acaba aumentando mitos e desinformações sobre sexualidade — alerta Kiss.
Para Adriana Ribeiro, dados como o Dia da Masturbação cumprem um papel importante ao abrir espaço para discussões mais responsáveis sobre saúde sexual.
— Essas iniciativas ajudam a normalizar a prática como parte da sexualidade humana e críticas para a desconstrução da culpa e da vergonha associadas ao tema — conclui.
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