Vida e Saúde

Morte de mulher após aplicação de PMMA: entenda os riscos da substância

Ao ser aplicada de forma profunda, substância pode causar complicações graves, como infecções e rejeição.

Agência O Globo - 27/05/2026
Morte de mulher após aplicação de PMMA: entenda os riscos da substância
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma mulher de 48 anos, identificada como Roseli, morreu na manhã de terça-feira (26) após se submeter a um procedimento de injeção de polimetilmetacrilato (PMMA) na região dos glúteos e na face posterior das coxas. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, que ainda apura as circunstâncias do óbito, o procedimento tinha finalidade estética de remodelação corporal.

Uso não aprovado para fins estéticos

Apesar de sua popularidade em clínicas de estética, o uso do PMMA não é autorizado para esse fim. Em julho de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reafirmou que a substância segue liberada no Brasil apenas para indicações médicas específicas, após reavaliação motivada por alerta do Conselho Federal de Medicina (CFM).

As indicações aprovadas abrangem a correção de defeitos tegumentares (de pele) e de volume facial e corporal por motivos de saúde e sob prescrição médica. “Reforçamos que não há indicação para aumento de volume meramente estético”, destaca a Anvisa.

Mesmo assim, clínicas e profissionais continuam oferecendo o preenchimento com PMMA sem respaldo legal, como evidencia o caso recente.

Aplicação inadequada e riscos

“As notificações recebidas pela Agência indicam casos de aplicação em volumes superiores aos autorizados”, informa a Anvisa. “A aplicação em região glútea, por exemplo, é recomendada apenas para pacientes com lipodistrofia associada ao uso de antirretrovirais e deve respeitar o limite de 60 mL por glúteo, conforme as indicações dos fabricantes.”

Riscos do PMMA

O PMMA, ou polimetilmetacrilato, é uma substância plástica não reabsorvível pelo organismo. Utilizada como preenchedor em forma de gel, é indicada para corrigir pequenas deformidades e casos de lipodistrofia – perda de gordura facial comum em pessoas que vivem com HIV.

Também pode ser empregada para correção volumétrica facial e corporal, tratando alterações como irregularidades e depressões no corpo. No entanto, quando aplicado em camadas profundas da pele, pode desencadear complicações graves, como infecções e rejeição. Por não ser absorvido, adere-se a músculos e ossos, tornando sua remoção praticamente impossível.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) condena o uso do PMMA em procedimentos estéticos. Em nota divulgada no ano passado, a entidade reiterou que o uso fora das indicações médicas – pequenas deformidades e lipodistrofia – “é extremamente perigoso”.

“Apesar de comercializado, o produto pode causar complicações precoces e tardias de difícil resolução. Entre elas: nódulos, massas, processos inflamatórios e infecciosos, resultando em danos estéticos e funcionais graves e irreversíveis. Complicações como necroses, cegueiras, embolias e óbitos ocorrem com maior frequência com o PMMA do que com preenchedores absorvíveis”, alerta a nota.

A Anvisa também expressa preocupação com o uso inadequado do PMMA e os riscos à saúde. Reforça que, nos casos permitidos, “o produto deve ser administrado por médicos treinados”, para evitar complicações.