Vida e Saúde
O que a psicologia diz sobre crianças que gostam de desenhar
Estudos indicam que crianças que desenham com frequência tendem a desenvolver melhor memória e habilidades de aprendizado
O ato de desenhar, muitas vezes tratado apenas como uma atividade lúdica, muitas vezes não recebe a devida atenção dos pais no contexto do desenvolvimento infantil. No entanto, pesquisas recentes reforçam a importância do desenho no processo de aprendizagem das crianças.
Diversos apontam que desenhar vai além de um simples passatempo, contribuindo para o desenvolvimento do controle motor, planejamento, representação mental, atenção e memória.
Ao se dedicarem ao desenho, as crianças não apenas se expressam criativamente, mas também estimulam áreas do cérebro ligadas a habilidades cognitivas essenciais para o aprendizado.
Estudos reforçam a importância do desenho
Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology analisou 80 crianças e acordos que o desenvolvimento do desenho está associado à memória de trabalho, ao controle executivo e à linguagem.
A chamada memória de trabalho, ou memória operacional, funciona como um “espaço mental” temporário onde o cérebro armazena e manipula informações por alguns segundos — conceito popularizado como “palácio mental” na série Sherlock , da BBC.
Segundo uma pesquisa da Universidade de Gênova, na Itália, as crianças que desenham com frequência também apresentam habilidades cognitivas que ajudam a representar e organizar o mundo ao seu redor.
Vale destacar que o desenho, por si só, não garante uma memória melhor, mas faz parte de um conjunto de competências que favorecem a aprendizagem precoce.
Outro estudo, divulgado na revista Cognitive Development , reforça a relação entre desenho e linguagem. Assim como no estudo anterior, são inspiradas que a memória de trabalho e outras funções executivas influenciam e são influenciadas por ambas as habilidades.
Realizada com 125 crianças entre três e seis anos, uma pesquisa revelou que o desenvolvimento do desenho representacional é fortemente influenciado pela linguagem, que, por sua vez, depende da função executiva.
Em resumo, a criança primeiro desenvolve a capacidade de controlar a atenção e inibir respostas automáticas (função executiva); isso impulsiona o desenvolvimento da linguagem (vocabulário e gramática); e a linguagem, então, permite que a criança atribua significado aos rabiscos, transformando-os em desenhos representacionais.
De acordo com os autores, crianças que desenvolvem com frequência demonstram bom desenvolvimento da memória de trabalho e de outros mecanismos cognitivos fundamentais para a aprendizagem.
É importante ressaltar que a psicologia não afirma que desenhar muito garante, automaticamente, melhor desempenho acadêmico. O que se observa é que essas habilidades estão profundamente interligadas.
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