Vida e Saúde

Por que as gerações mais novas são consideradas mais 'sensíveis'?

Estudos apontam que jovens demonstram maior consciência emocional; entenda as razões e impactos

Agência O Globo - 21/05/2026
Por que as gerações mais novas são consideradas mais 'sensíveis'?
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As gerações mais jovens, como a Z e a Alfa, têm sido frequentemente rotuladas como mais “sensíveis” em comparação com as gerações anteriores, como a Geração X ou os Boomers. Termos pejorativos como “mimizentos” são usados para descrevê-los, mas a psicologia busca compreender por que esses jovens aparentam maior consciência emocional do que seus antecessores.

Os jovens de hoje crescem em uma cultura que valoriza o cuidado com a saúde mental, os sentimentos e o acesso à terapia. Segundo especialistas, eles dispõem de mais ferramentas para lidar com as emoções do que seus pais e avós, que foram criados por pessoas marcadas por guerras e crises econômicas severas.

A psiquiatra Nissa Keyashian, em entrevista à revista Parents, explica que as gerações mais velhas, especialmente os “baby boomers”, podem apresentar dificuldades para identificar, expressar e discutir emoções e questões de saúde mental. “Muitos da Geração X também provavelmente não receberam muito apoio emocional nem foram ensinados a identificar, expressar, processar e discutir emoções”, acrescenta Keyashian.

Já os millennials, geração anterior à Z, vivenciam uma divisão: alguns conseguem lidar melhor com as emoções, enquanto outros ainda refletem padrões das gerações anteriores, em razão das mudanças na educação parental.

Ao longo do tempo, surgiram mais livros e orientações sobre práticas saudáveis de criação. Além disso, fatores como incerteza econômica, competitividade no acesso à universidade e o foco da mídia na segurança infantil impulsionaram a chamada “parentalidade intensiva”. Segundo o psiquiatra infantil Zishan Khan, esse modelo prioriza a compreensão do mundo interior das crianças, e não apenas o controle do comportamento.

Essas mudanças resultaram em estilos de criação como a “educação gentil” e a “educação autoritária”, nas quais os sentimentos das crianças são validados, mas limites ainda são estabelecidos. “A corregulação — manter a calma e a presença durante as crises — ensina que emoções intensas podem ser superadas”, explica Khan. “Quando pais unem empatia e estrutura, as crianças desenvolvem um vocabulário emocional mais rico, melhor autorregulação e um apego mais seguro.”

O papel das escolas também é fundamental. A valorização de psicólogos e psicopedagogos no ambiente escolar contribui para que as crianças aprendam a lidar com seus sentimentos, especialmente quando estão longe da família.

Os riscos da consciência emocional

Entre as vantagens de ser emocionalmente consciente estão a maior capacidade de lidar com o estresse, os relacionamentos e as mudanças da vida até a fase adulta. No entanto, há riscos: “Jovens podem organizar sua identidade em torno de diagnósticos”, alerta William Cheung Tsang, neuropsicólogo da Universidade de Hackensack. “Se alguém se define frequentemente como ansioso, isso pode criar uma narrativa resistente ao tratamento.”

Ele destaca o perigo dos diagnósticos populares em redes sociais, aos quais os jovens estão expostos. “Como profissionais da saúde, pais e educadores, nosso objetivo é ajudar as crianças a usar a consciência emocional como uma ferramenta, não como uma definição de valor ou identidade”, ressalta.

Khan conclui: “O crescimento implica que a relação da pessoa com seus sentimentos muda ao longo do tempo, e isso deve despertar curiosidade, não medo”.