Vida e Saúde

Uma em cada cinco pessoas pode ter condição 'misteriosa' que aumenta risco de colesterol alto, diz estudo; entenda

Estudo com mais de 20 mil pacientes aponta que níveis elevados de lipoproteína(a), condição geralmente hereditária e sem sintomas, aumentam risco de AVC e morte cardiovascular mesmo quando colesterol comum parece normal

Agência O Globo - 16/05/2026
Uma em cada cinco pessoas pode ter condição 'misteriosa' que aumenta risco de colesterol alto, diz estudo; entenda
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma ameaça silenciosa e hereditária ligada ao colesterol pode afetar milhões de pessoas e aumentar de forma significativa o risco de AVC e morte cardiovascular — mesmo quando os exames tradicionais de colesterol apresentam resultados considerados normais. É o que aponta uma nova análise feita com mais de 20 mil pacientes de três grandes estudos dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

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Os resultados, apresentados nas Sessões Científicas de 2026 da Society for Cardiovascular Angiography & Interventions (SCAI) e no encontro da Canadian Association of Interventional Cardiology/Association Canadienne de cardiologie d'intervention (CAIC-ACCI), em Montreal, indicam que níveis elevados de lipoproteína(a), também chamados de Lp(a), estão associados ao risco cardiovascular persistente mesmo em pessoas que recebem tratamento padrão.

A Lp(a) é uma partícula que transporta colesterol no sangue. Ela se assemelha ao LDL, conhecido como “colesterol ruim”, mas possui uma proteína extra que pode torná-la mais prejudicial ao sistema cardiovascular. Níveis altos de Lp(a) costumam ser herdados geneticamente e podem aumentar o risco de doença cardíaca mesmo quando os indicadores tradicionais de colesterol parecem adequados.

Especialistas estimam que cerca de 20% da população tenha Lp(a) elevada, embora a maioria não saiba, já que a condição normalmente não causa sintomas. Embora a relação entre Lp(a) alta e doenças cardiovasculares já fosse conhecida, ainda havia dúvidas sobre a força dessa associação em pessoas com e sem doença cardíaca prévia.

OMS:

Para investigar a questão, os pesquisadores analisaram amostras de plasma armazenadas de 20.070 adultos com 40 anos ou mais que participaram dos estudos planejados ACCORD, PEACE e SPRINT, programados pelo NIH. As amostras foram avaliadas em laboratório especializado, com uso de um ensaio padronizado, e medidas no padrão atual de nmo/L.

Os participantes foram divididos em grupos de acordo com os níveis de Lp(a): abaixo de 75, entre 75 e 125, entre 125 e 175, ou igual ou acima de 175 nmo/L. Os pesquisadores também consideraram se os pacientes já tinham doença cardiovascular. Os modelos estatísticos levaram em conta fatores como idade, condições médicas, níveis de lipídios e histórico de tratamento.

A idade média dos participantes era de 65,2 anos, com variação de 8,5 anos, e 64,9% eram homens. Os pesquisadores acompanharam a ocorrência de eventos cardiovasculares adversos maiores, incluindo infarto do miocárdio, AVC, revascularização coronariana e morte cardíaca.

Células 'zumbis':

Durante um período médio de acompanhamento de 3,98 anos, foram registrados 1.461 eventos cardiovasculares graves, o equivalente a 7,3% dos participantes. Pacientes com níveis de Lp(a) iguais ou superiores a 175 nmo/L apresentavam risco significativamente maior de eventos cardiovasculares maiores, morte cardiovascular e AVC. O aumento foi de 31% para eventos cardiovasculares maiores, 49% para morte cardiovascular e 64% para AVC. Nesse mesmo patamar, porém, a Lp(a) elevada não foi associada a maior risco de infarto.

A associação foi mais forte entre os participantes que já tinham doenças cardíacas, em comparação com aqueles sem doenças cardíacas.

— Pela primeira vez, podemos quantificar o nível específico de Lp(a) que coloca os pacientes em risco significativamente maior de eventos cardiovasculares importantes, especialmente AVC e morte — disse Subhash Banerjee, cardiologista intervencionista da Baylor Scott & White, em Dallas, no Texas.

Segundo Banerjee, a identificação do risco pode ser feita com um exame simples.

— Independentemente da idade, os pacientes podem fazer um exame de sangue simples e de baixo custo para determinar se têm essa condição genética. Se você primeiro testou níveis elevados de Lp(a), eles devem trabalhar em conjunto com seu profissional de saúde para reduzir o colesterol LDL e controlar outros fatores de risco cardiovascular tanto quanto possível. Esse conhecimento é especialmente importante à medida que novas opções de tratamento direcionadas estão no horizonte.

Os pesquisadores afirmam ainda que o estudo de amostras biológicas armazenadas de ensaios clínicos já concluídos pode continuar trazendo informações relevantes. As análises futuras devem se concentrar em outros grupos de pacientes, incluindo pessoas com doença renal crônica e doença arterial periférica.