Vida e Saúde
Maternidade e trabalho: quatro benefícios que fazem diferença na vida das mães nas empresas
Apoiar a maternidade deixou de ser benefício e passou a ser estratégia de retenção de talentos
Dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que cerca de 50% das mulheres deixam seus empregos até um ano e meio após o término da licença-maternidade, evidenciando os desafios para a permanência feminina no mercado de trabalho após a chegada dos filhos.
No mês em que se celebra o Dia das Mães, o tema ganha ainda mais relevância e reforça a necessidade de as empresas revisarem suas práticas para evitar a perda de talentos femininos e construir ambientes mais saudáveis.
Para Aliesh Farias, psicóloga e CEO da Carpediem RH, o apoio às mães deve ocorrer antes, durante e após a entrada no ambiente corporativo.
Segundo ela, ainda são frequentes abordagens inadequadas em processos seletivos: “Quando observamos as perguntas feitas por recrutadores, fica evidente um viés preocupante. Muitas mulheres ainda são questionadas sobre maternidade ou planos de ter filhos. Esse tipo de abordagem, além de antiética, afasta talentos e empobrece as organizações”, afirma.
Confira quatro ações que fazem a diferença na prática:
Auxílio-creche
Até os 6 meses de vida do bebê, as mães têm direito ao auxílio-creche. O objetivo é oferecer uma solução estruturada e segura para o cuidado dos filhos durante o expediente, permitindo que as profissionais desempenhem suas funções com mais tranquilidade.
Quando a empresa não possui estrutura própria para receber as crianças, deve oferecer suporte financeiro para que os funcionários possam arcar com uma creche adequada. “Para as mães, o auxílio-creche faz uma diferença enorme. Saber que o filho está em um lugar seguro e bem cuidado permite que elas se dediquem ao trabalho com muito mais tranquilidade, o que se reflete diretamente na permanência dessas mulheres no mercado”, destaca a psicóloga.
Salas de apoio à amamentação
As salas de apoio à amamentação oferecem um ambiente confortável, privativo e seguro para que as mães possam retirar e armazenar o leite materno em frascos esterilizados.
O leite é conservado em freezer com temperatura controlada e identificado com o nome da mãe, data e hora da coleta. Ao fim do dia, a mulher pode levar o leite para casa e utilizá-lo para alimentar o filho na sua ausência. “Quando a licença-maternidade termina, começa um dos períodos mais difíceis para muitas mulheres: ter que se separar do filho por horas todos os dias. Para as que amamentam, esse processo é ainda mais doloroso. É aí que a sala de apoio faz toda a diferença”, reflete Aliesh.
Apoio psicológico
A maternidade é uma fase intensa, marcada por mudanças físicas, emocionais e identitárias. Por isso, o cuidado com a saúde mental deve ser tratado como prioridade dentro das organizações.
Empresas devem implementar programas estruturados de apoio emocional, rodas de conversa, grupos de escuta e acesso facilitado a acompanhamento psicológico, além de treinar lideranças para identificar sinais de sobrecarga e acolher essas profissionais de forma adequada.
Iniciativas consistentes contribuem para reduzir o estresse, fortalecer o vínculo com a empresa e melhorar a qualidade de vida no trabalho. “Cuidar da saúde mental das mães é uma medida estratégica. O cuidado reduz o risco de afastamentos, fortalece o engajamento e cria um ambiente mais saudável para o desenvolvimento dessas profissionais”, afirma Aliesh Farias.
Flexibilidade no horário
A flexibilização da jornada de trabalho ganhou força nos últimos anos, mas ainda precisa considerar as especificidades das gestantes e mães.
Consultas médicas, exames e imprevistos fazem parte da rotina, e exigir rigidez nesse contexto pode gerar sobrecarga e desgaste. “É fundamental que a empresa respeite esse momento e demonstre sensibilidade com a saúde da gestante e do bebê”, destaca a psicóloga.
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