Vida e Saúde
Síndrome dos ovários policísticos ganha novo nome após consenso global
Condição agora será chamada de 'síndrome ovariana metabólica poliendócrina' (SOMP), refletindo impactos hormonais e metabólicos além dos ovários
A síndrome dos ovários policísticos (SOP), condição que afeta aproximadamente 170 milhões de mulheres em todo o mundo, passará a ser conhecida por um novo nome após consenso internacional publicado nesta terça-feira (4) na revista científica The Lancet. A partir de agora, a doença será chamada de síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP ou PMOS, na sigla em inglês). A mudança busca corrigir o que especialistas consideram uma definição imprecisa e limitada da condição.
O novo termo foi anunciado durante o Congresso Europeu de Endocrinologia, realizado em Praga, após 14 anos de discussões envolvendo mais de 50 organizações médicas e grupos de pacientes de diferentes países, incluindo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Segundo a endocrinologista Poli Mara Spritzer, subcoordenadora do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da SBEM, o objetivo é superar a limitação do termo “ovários policísticos”, que leva à ideia de que a síndrome está restrita à presença de cistos nos ovários.
“Este processo de troca de nome foi uma iniciativa global de grande magnitude e, por isso, representativa de pacientes, clínicos e agentes de políticas públicas. A denominação antiga era errônea porque focava apenas nos chamados cistos, que na verdade não são cistos, mas folículos com crescimento interrompido. Além disso, algumas mulheres com o diagnóstico nem apresentam esse aspecto nos ovários”, explica a médica em nota.
Na prática, muitas pacientes diagnosticadas com SOP sequer apresentam cistos ovarianos. A nova denominação busca refletir melhor a complexidade da doença. O termo “poliendócrina” destaca o envolvimento de múltiplos hormônios, enquanto “metabólica” chama atenção para alterações associadas à resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Já “ovariana” permanece no nome devido aos impactos sobre a ovulação e a fertilidade.
“A síndrome tem causas genéticas, endócrinas e metabólicas, com o comprometimento de vários hormônios, como insulina, androgênios, hormônio luteinizante (LH) e hormônio antimülleriano (AMH). O novo nome é mais abrangente e inclusivo para as mulheres que convivem com a condição”, afirma a endocrinologista.
Os especialistas responsáveis pelo documento afirmam que a mudança pode ajudar a reduzir atrasos no diagnóstico e ampliar a compreensão sobre os efeitos sistêmicos da condição, que também pode provocar acne, excesso de pelos, queda de cabelo, alterações menstruais e impactos na saúde mental.
De acordo com o consenso publicado em The Lancet, a implementação do novo nome será gradual, ocorrendo ao longo dos próximos três anos, até ser incorporada oficialmente às diretrizes internacionais previstas para 2028. Essa alteração, porém, não modifica os critérios diagnósticos.
A SOMP continuará sendo identificada a partir da avaliação de alterações como irregularidade menstrual ou disfunção ovulatória, hiperandrogenismo clínico ou laboratorial, achados ovarianos compatíveis ou níveis alterados de AMH, conforme diretrizes internacionais. O que muda é a forma de nomear e comunicar a síndrome.
“A adoção de uma nova nomenclatura vem de um processo de reconhecimento da complexidade desta síndrome, tanto na sua etiologia quanto na apresentação clínica e nas complicações cardiometabólicas. O novo nome deixa mais claro que o diagnóstico vai muito além da aparência dos ovários e que o tratamento pode exigir uma abordagem multidisciplinar e suporte farmacológico diverso”, complementa Karen de Marca, diretora e presidente eleita da SBEM.
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