Vida e Saúde

Quarto individual e máscara FFP2: como é a quarentena dos passageiros que tiveram contato com o hantavírus

O surto causou três mortes. Duas dessas pessoas tiveram resultado positivo e a terceira é considerada um caso provável, de acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS)

Agência O Globo - 12/05/2026
Quarto individual e máscara FFP2: como é a quarentena dos passageiros que tiveram contato com o hantavírus
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Em uma nova atualização da Organização Mundial de Saúde (OMS), sete pessoas que estavam no cruzeiro MV Hondius testaram positivo para o hantavírus, que é transmitido aos seres humanos através das fezes, da urina ou da saliva de roedores, e duas pessoas com sintomas são casos prováveis.

O surto causou três mortes. Duas dessas pessoas tiveram resultado positivo e a terceira é considerada um caso provável, de acordo com o último relatório da OMS.

O que é a quarentena?

As pessoas evacuadas do navio deverão ficar em quarentena mesmo sem teste positivo, de acordo com a OMS, que recomenda 42 dias de isolamento para os casos de contato, em suas residências ou em clínicas especializadas.

“Recomendamos a vigilância ativa e o envio de todos os passageiros e membros da tripulação” que desembarcaram, “durante um período de 42 dias”, declarou neste fim de semana Maria Van Kerkhove, diretora da OMS para prevenção e preparação contra epidemias e pandemias.

A indicação de 42 dias se deu porque o período de incubação pode se estender até oito semanas para o hantavírus, mas pode chegar a seis semanas no caso da cepa andina.

— As pessoas que voltam para casa devem lavar as mãos com frequência e ficar atentas ao surgimento de qualquer sintoma precoce (dor de cabeça, tonturas, calafrios, febre, dores musculares, problemas gastrointestinais como náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal) durante seis semanas a partir de 10 de maio — informou a OMS nesta segunda-feira à AFP.

De acordo com informações da agência ANSA, dois dos quatro passageiros italianos que embarcaram no cruzeiro serão colocados em quarentena na Itália. Um jovem de 24 anos passará 45 dias em um quarto individual com banheiro privativo, além disso, terá uma temperatura monitorada continuamente e precisará usar uma máscara FFP2 ao entrar em contato com outras pessoas. Em outra região, um marinheiro de 25 anos passará pelo mesmo processo de isolamento.

Holanda

Um casal de holandeses que passou pela América do Sul antes de embarcar no cruzeiro MV Hondius em Ushuaia, Argentina, no dia 1º de abril, morreu devido ao vírus. Foram as primeiras vítimas do surto.

O homem, de 70 anos, apresentou sintomas em 6 de abril e faleceu no dia 11 do mesmo mês. Seu corpo foi desembarcado quando o navio de cruzeiro fez escala na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, entre 22 e 24 de abril.

Ele não foi submetido a testes de detecção, pelo que foi considerado um “caso provável”, a OMS. Sua esposa, de 69 anos, também desembarcou em Santa Elena, pois não se sentia bem.

Seu estado se agravou durante um voo com destino a Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no hospital no dia seguinte. Seu contágio por hantavírus foi confirmado em 4 de maio.

Há um terceiro caso: o médico do navio, que é holandês. Ele apresentou sintomas em 30 de abril. Um teste revelou, em 6 de maio, que ele era positivo para a cepa Andina, presente na América do Sul e a única que se transmite entre pessoas. Naquele dia, ele foi transferido para a Holanda. Ele está isolado e seu estado é estável.

Reino Unido

Dois britânicos foram infectados e um terceiro é considerado um caso provável. O primeiro passou mal em 24 de abril e foi evacuado três dias depois da Ilha da Ascensão, no Atlântico, para a África do Sul, onde foi internado em uma unidade de terapia intensiva. Em 2 de maio, foi confirmado que ele estava com hantavírus.

O segundo britânico, que trabalhou a bordo do navio, informou que apresentou sintomas em 27 de abril e testou positivo em 6 de maio. Ele foi evacuado para a Holanda em 7 de maio de Cabo Verde. Seu estado é estável.

Um terceiro britânico deixou o MV Hondius em 14 de abril no arquipélago de Tristão da Cunha, no Atlântico Sul, e foi colocado em isolamento. Ele relatou sintomas em 28 de abril. A OMS considera um “caso provável”, enquanto aguarda os resultados dos exames.

Alemanha

Uma alemã que apresentou febre em 28 de abril e prosperidade pneumonia faleceu em 2 de maio a bordo do navio. Uma amostra coletada post mortem foi enviada para a Holanda, onde os exames confirmaram uma infecção pelo vírus.

Seu corpo compareceu a bordo do cruzeiro, que partirá rumo à Holanda da ilha espanhola de Tenerife na tarde de segunda-feira.

Suíça

Um suíço desembarcou do MV Hondius em Santa Elena em 22 de abril e voou para a Suíça em 27 de abril, passando pela África do Sul e pelo Catar. Ele começou a apresentar sintomas em 1º de maio, após sua chegada à Suíça. Foi tratado em isolamento e testado positivo para o vírus.

França

Uma francesa repatriada do navio passou mal no dia 10 de maio. Ela testou positivo e foi colocada em quarentena. Seu estado de saúde “piorou esta noite”, segundo as autoridades francesas.

Estados Unidos

Um dos 17 americanos presentes no navio testou positivo. Outro apresenta “sintomas leves”, informado o Departamento de Saúde no dia 10 de maio. Nenhum dos dois casos confirmados nos EUA foram considerados na atualização feita pela OMS.