Vida e Saúde

Hantavírus: existe a possibilidade de uma pandemia?

OMS adverte que situação está sob controle e reforça que episódio 'não é o começo de uma pandemia'

Agência O Globo - 11/05/2026
Hantavírus: existe a possibilidade de uma pandemia?
Hantavírus

O cruzeiro MV Hondius teve 94 passageiros evacuados neste fim de semana, e outros 22 deverão seguir para a Holanda nesta segunda-feira (11). Em avaliação recente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que o avanço do hantavírus tende a ser limitado se as medidas sanitárias forem mantidas. O Ministério da Saúde também ressaltou que o surto registrado em Cruzeiro não representa risco para o Brasil.

Variante Andes não circula no Brasil

De acordo com o Ministério da Saúde, não há registro de circulação do genótipo Andes no Brasil — variante associada à transmissão interpessoal, observada em casos raros na Argentina e no Chile e atualmente presente no navio. No Brasil, até o momento, não há registro de transmissão entre pessoas; foram identificados novos genótipos de Orthohantavírus em roedores silvestres, todos sem transmissão humana.

Não existe vacina ou tratamento específico para o hantavírus, doença geralmente relacionada ao contato com roedores. No caso do MV Hondius, os exames identificaram a cepa Andes, a única variante conhecida que permite a transmissão de pessoa para pessoa em situações de contato próximo.

Casos e observação

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, até ao momento foram registados oito casos ligados ao surto, incluindo três mortes. Cinco dos casos foram confirmados como hantavírus; três ainda são suspeitos. Como o período de incubação da cepa Andes pode chegar a seis semanas, existe a possibilidade de surgirem novos casos.

As três mortes envolvem um casal de holandeses e uma passageira alemã, todos os passageiros do cruzeiro que partiram em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde. Atualmente, há passageiros hospitalizados ou sob vigilância médica nos Países Baixos, Suíça, Alemanha e África do Sul.

OMS descartou risco de pandemia

A OMS atrasou comparações com a covid-19 e reiterou que o risco epidêmico global permanece baixo. “Não é o começo de uma pandemia”, declarou Maria Van Kerkhove, responsável pela área de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, em coletiva de imprensa.

O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, reforçou que o surto deve ser "limitado se forem tomadas medidas de saúde pública e de solidariedade entre todos os países".

Origem do contágio ainda é investigada

A origem do foco permanece indefinida. Segundo a OMS, o primeiro caso fatal, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas em 6 de abril, poucos dias após o embarque. Ele e sua esposa visitaram Chile, Uruguai e Argentina antes de entrar no navio. As autoridades chilenas observaram que o contágio ocorreu em seu território, pois a passagem do casal pelo país não coincidiu com o período de incubação. Já as autoridades argentinas informaram que, com as informações disponíveis, não é possível confirmar a origem do contágio.

O hantavírus é endêmico em algumas regiões da Argentina, especialmente ao longo da Cordilheira dos Andes, onde cerca de 60 casos são registrados anualmente.